Presidente da Iniciativa Liberal frisou ainda que ministro da Administração Interna não se pode furtar ao escrutínio público.
O ministro da Administração Interna (MAI) Luís Neves tem de esclarecer os portugueses sobre o "conjunto de trapalhadas completamente insólitas" em que está envolvido, exigiu este sábado a presidente da Iniciativa Liberal (IL) Mariana Leitão.
"Temos um ministro envolto num conjunto de trapalhadas completamente insólitas e o senhor ministro tinha de vir explicar, taxativamente, o que está ali em causa, o que é que se passou. Já deu um conjunto de entrevistas [televisivas] em que continua sem se perceber bem o que é que está em causa, as explicações cabais que são necessárias é isso que se exige de um ministro que tem responsabilidade política e tem de dar a cara perante os portugueses", vincou a líder liberal.
Os casos envolvendo o MAI estarão aparentemente relacionados com factos ocorridos quando ainda era diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ), antes de transitar para o atual Governo, há cinco meses, e incidem sobre as ligações a um empresário de construção civil de Barcelos, que fez obras para aquela polícia criminal, mas também em pelo menos uma propriedade privada do atual ministro, no Alentejo.
Ouvida pelos jornalistas, em Coimbra, à margem da iniciativa "Liberais ao Centro", que decorre ao longo deste sábado, Mariana Leitão frisou ainda que Luís Neves não se pode furtar ao escrutínio público.
"As pessoas são escrutinadas nestes cargos, é normal, é saudável que assim seja, é um garante, também, da democracia. Agora, as pessoas não podem fugir desse escrutínio, com mais situações insólitas ou trapalhadas em cima", afirmou.
"Têm de fazer esses esclarecimentos, totais, cabais, para que não haja dúvidas na cabeça das pessoas. É isso que se exige ao senhor ministro, neste momento, coisa que ainda não tem acontecido", reforçou.
Mariana Leitão notou ainda que o governo liderado por Luís Montenegro tem vindo a ser assolado por uma sucessão de crises e situações "em que a resposta não tem sido positiva", ao longo dos últimos dois anos e tarda, na sua opinião, em encontrar um rumo para o país, sendo notária a manutenção de problemas estruturais, que não especificou.
"[O primeiro-ministro] começa um discurso em que o que está mal, está mal por culpa do governo anterior -- sendo que o governo anterior foi há dois anos, não foi há meses --, ora a culpa é dos dados estatísticos do INE, ora a culpa foi das tempestades, ou seja, a culpa é de tudo, menos da atuação do Governo", acusou a presidente da IL.
"E em coisa em que podia garantir que as coisas iam acontecendo, aprovando propostas de outros partidos, nomeadamente da Iniciativa Liberal, o governo chumba tudo. E, portanto, um governo com esta arrogância e com esta incapacidade [...] é um governo que também evidencia pouca vontade para fazer aquilo que é preciso ser feito para por o país num rumo de crescimento e prosperidade", argumentou Mariana Leitão.
"Era importante o senhor primeiro-ministro perceber que a oportunidade está a esgotar-se. E se ele não começar, de facto, a trabalhar verdadeiramente em prol do interesse dos portugueses a oportunidade será perdida e nós não nos podemos dar ao luxo de perder mais oportunidades, foram demasiadas ao longo das últimas décadas", advogou a dirigente liberal.
Já no discurso que proferiu no pavilhão Centro de Portugal, perante cerca de 60 militantes e simpatizantes da IL, Mariana Leitão lembrou o debate do Estado Nação, na Assembleia da República, alegando ter ficado com uma sensação "difícil de ignorar".
"Portugal parece viver numa sucessão permanente de urgências. Passamos da crise da habitação para a crise da saúde, da execução dos fundos europeus para a produtividade, dos incêndios para a seca, da educação para a carga fiscal, da falta de crescimento económico para a emigração dos nossos jovens. Vivemos permanentemente a apagar fogos, e quando deixamos de apagar um, já estamos a correr para o seguinte", ilustrou.
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