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Correio da Manhã

Política
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Mário Soares deixou Conselho de Estado às 19h55

O ex-Presidente da República Mário Soares saiu esta sexta-feira da reunião do Conselho de Estado cerca das 19h55, numa altura em que aumentou o ruído dos protestos em frente ao Palácio de Belém.

21 de Setembro de 2012 às 20:37
Mário Soares escusou-se a prestar declarações aos jornalistas
Mário Soares escusou-se a prestar declarações aos jornalistas FOTO: Tiago Sousa Dias

À passagem pela Sala das Bicas, Mário Soares escusou-se a prestar declarações aos jornalistas.

O ruído que chega do exterior do Palácio de Belém, onde está concentrada uma vigília, tem vindo a aumentar, desde que a reunião do Conselho de Estado, o órgão consultivo do Presidente da República, começou cerca das 17h15.

Além de gritos, apitos e buzinas, ouve-se espaçadamente o rebentamento de petardos.

O ministro das Finanças, Vítor Gaspar, participou, como convidado do Conselho de Estado durante cerca de uma hora e quinze minutos, tendo recorrido a dispositivos tecnológicos para realizar uma apresentação.

Mário Soares foi dos mais críticos conselheiros de Estado a pronunciar-se publicamente sobre a situação do País, considerando que o Governo liderado por Pedro Passos Coelho está "moribundo" e sugerindo que o Presidente da República, Cavaco Silva, nomeie um novo Executivo sem recurso a eleições antecipadas.

"Se o Governo não se sente moribundo é porque não tem sensibilidade. Se o Governo tivesse sensibilidade talvez se demitisse, mas como não tem sensibilidade não se demite por enquanto. Mas devia demitir-se, como já devia ter demitido o senhor [ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares] Miguel Relvas e não demitiu", referiu esta semana o ex-Presidente da República, numa iniciativa na Fundação Mário Soares.

"A crise está instalada. Querem maior crise do que o País a gritar vão-se embora e a chamar gatunos aos membros do Governo? Foi o que aconteceu no sábado", comentou.

Neste contexto, Mário Soares foi questionado se é possível ser nomeado um novo Governo sem recurso a eleições antecipadas, respondendo que esse cenário é possível "e depende do Presidente da República", Cavaco Silva.

Depois, Mário Soares deixou uma pergunta aos jornalistas, dando como exemplo a forma como foi resolvida a última crise política em Itália.

"Como caiu [o ex-primeiro-ministro de Itália] Sílvio Berlusconi? A pergunta que deve ser feita é quem é o nosso [Giorgio] Napolitano [chefe de Estado italiano], que foi quem provocou essa queda", contrapôs Mário Soares.

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