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Correio da Manhã

Política
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'MÁRIO SOARES ESTÁ FORA DE PRAZO'

Ribeiro Cristóvão, jornalista e director do Departamento de Desporto da Rádio Renascença, vai ser deputado durante 50 dias, em substituição da também jornalista Maria Elisa. Eleito pelo PSD, mas não militante, Ribeiro Cristóvão acredita que Cavaco Silva poderá ser Presidente da República e defende penas mais pesadas para os incendiários.
11 de Agosto de 2003 às 00:00
Se os políticos forem como o dr. Sampaio, há a possibilidade de uma maior aproximação com a realidade
Se os políticos forem como o dr. Sampaio, há a possibilidade de uma maior aproximação com a realidade FOTO: José Barradas
- Como é que o Ribeiro Cristóvão chega à política?
-Eu fui sempre simpatizante do PSD, desde o tempo do dr. Sá Carneiro. Aquilo que eu fiz até agora foi aceder a um convite para concorrer a presidente da assembleia municipal de Proença-a-Nova. Fui eleito e tenho participado nas reuniões da AM conforme determinam as leis.
-E daí para o Parlamento...
-Um dia, o presidente da Câmara telefonou-me a perguntar se eu não queria fazer parte das listas da distrital para as legislativas. E eu pensei que estava a brincar. Ele disse "vou propô-lo para um lugar elegível". E eu fiquei francamente assustado, porque não estava nada a contar com aquilo. Elegemos dois deputados e o PS três. Saí de lá não eleito e no dia seguinte reiniciei a minha vida como se nada se tivesse passado. De repente, recebo um telefonema do grupo parlamentar do PSD através do qual me é dito que a Maria Elisa tinha suspendido o mandato dela por 50 dias e eu era o elemento da lista que se seguia e se eu avançava. Hesitei, pedi para pensar e ao fim de um dia e meio disse que se era por 50 dias, aceitava.
-Como vê toda a polémica que envolveu a saída da Maria Elisa?
-O que sei é o que tenho lido. E o que tenho lido é que a Maria Elisa regressa à RTP. Mas também já li de pessoas responsáveis da RTP dizerem que nada está previsto em relação a ela. É uma amálgama de coisas que me levam a ter muitas dúvidas e a não saber responder a essa pergunta.
-Vai suspender as suas funções na Renascença?
-Sim, vou suspender as minhas funções durante o tempo em que estiver na Assembleia. Suspendo porque não quero de forma alguma que alguém me levante o dedo e diga que eu estou a ferir a ética.
-Já sabe que pastas vai tratar?
-Acho que não vou ter muito tempo para abraçar pastas. Não sei o que é que realmente precisam de mim, não sei o que é que querem que eu faça, mas acredito que não vão querer que eu faça nada de especial.
-Qual deve ser o próximo candidato presidencial do PSD?
-Cavaco Silva. Sou um admirador confesso do prof. Cavaco Silva desde sempre e acho que é um óptimo candidato do PSD, com a quase garantia da minha parte de que ele vai ser eleito.
-Mesmo que concorra contra Mário Soares?
-Não tenho nenhuma dúvida. O dr. Mário Soares está claramente fora de prazo. De resto nem acredito que o dr. Mário Soares se vá candidatar.
-Como é que tem visto a actuação deste Governo na área do desporto?
-Acho que o Governo tem actuado bem. O Secretário de Estado do Desporto, o dr. Hermínio Loureiro é uma pessoa muito ponderada e sensata, tem-se preocupado em estar em contacto com as realidades desportivas do interior. Este Governo não tem feito mais porque está muito absorvido pelas tarefas do 2004.
-O Euro'2004 não vai chegar a Castelo Branco...
-O interior foi completamente esquecido e esta é de facto a prova mais evidente de que as pessoas não estão interessadas em fazer progredir o interior neste aspecto. O Europeu foi uma das maiores demonstrações que eu tive até hoje disso. Ninguém fez nada pelo interior, para que fosse de facto chamado a participar de forma activa no Euro 2004.
-Vindo de um distrito flagelado pelos incêndios, como tem encarado as últimas semanas?
-Creio que há vários problemas na origem destes incêndios todos. Há um que se calhar é o mais importante, uma grande falta de cuidado com as matas, que não são limpas com a assiduidade que deviam. E também há os loucos, os incendiários, que pelas razões mais diversas têm ateado fogos. Há também interesses económicos que se movem por trás que poderão contribuir para tudo isto. Há de certeza uma mão criminosa por trás disto tudo.
-Deve haver penas mais pesadas para quem pratica este tipo de crimes?
-Penas muito mais pesadas. As pessoas entram em desespero. Há pessoas que vão perder tudo, há pessoas que vão morrer, e há aquelas que vão morrer queimadas por dentro, pela tristeza, desoladas, pobres e a pensar nisto. É um desgosto para toda a vida.
-Como viu a visita que o Presidente da República fez aos concelhos mais atingidos, incógnito, na passada quarta-feira?
-É fazer política a sério. Este PR tem procurado estar com o País e uma coisa que a mim me impressiona muito é o facto de ele procurar muitas vezes estar com o País do interior. Esta ida do PR de forma completamente incógnita, foi uma coisa que me calou profundamente. E se os políticos forem um pouco como o dr. Jorge Sampaio há a possibilidade de uma maior aproximação à realidade e que não existe doutro modo.
POLÍTICA INFLAMADA
-Já foi jornalista parlamentar. No final dos anos 70 o Parlamento era bem diferente...
-Havia um maior entusiasmo, porque era a novidade então. Havia uma demarcação mais forte entre as forças políticas e as várias ideologias. Os deputados do PCP não conviviam com ninguém, viviam no seu casulo fechados e hoje isso já não é assim. Hoje já vemos uma Odete Santos ir à televisão cantar, algo impensável nesse tempo. Era uma política mais atractiva, porque era mais discutida e muito inflamada até à última palavra.
PERFIL
António Ribeiro Cristóvão, natural de Proença-a-Nova, chega a deputado parlamentar aos 64 anos. Casado, com três filhos e seis netos, começou a sua carreira na Rádio Clube do Moxico (Angola, 1958), de onde se mudou para a RC Huambo (1960 a 1975). Após o regresso a Portugal ingressou na Rádio Renascença em Fevereiro de 1976. No final da década de 70 'nasce' a equipa de desporto da RR, da qual é director. Foi chefe de redacção da RR durante vários anos. Ribeiro Cristóvão também trabalhou para a RTP, entre 1982 e 2002, embora com alguns interregnos pelo meio. Sportinguista, é presidente da Assembleia Municipal de Proença-a-Nova desde 2001. Foi presidente do Conselho Fiscal da Casa da Imprensa entre 1999 e 2002.
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