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Correio da Manhã

Política
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Mário Soares: "Isto é uma política de doidos”

O antigo Presidente da República classificou esta sexta-feira como "fortíssimas" as palavras do primeiro-ministro, quando disse que Portugal cumprirá as suas obrigações "custe o que custar". Para Mário Soares, a austeridade não leva a "nenhum lugar".
4 de Fevereiro de 2012 às 11:39
"Além da austeridade, que é necessária, precisamos de ter crescimento económico (...) e de diminuir o desemprego", disse o fundador do PS
'Além da austeridade, que é necessária, precisamos de ter crescimento económico (...) e de diminuir o desemprego', disse o fundador do PS FOTO: Lusa

"Custe o que custar são palavras fortíssimas", porque "acima de tudo estão as pessoas e o bem-estar das pessoas e não penso que a austeridade, só a austeridade, leve a nenhum lugar", disse Mário Soares.

"Além da austeridade, que é necessária, precisamos de ter crescimento económico, sem isso não se vai a lado nenhum, e de diminuir o desemprego", defendeu, considerando estas necessidades como algo "fundamental".

Segundo Mário Soares, se Pedro Passos Coelho “acha que só é preciso a 'troika', é a posição do primeiro-ministro, mas é uma posição que vai sair mal, porque toda a Europa já está a pensar que não é só por aí que vamos".

O primeiro-ministro, manifestando-se consciente da "situação de grande dificuldade" que Portugal atravessa, disse esta sexta-feira no debate quinzenal no Parlamento, com a presença do Governo, que o país cumprirá as suas obrigações "custe o que custar".

Na sessão de apresentação do seu livro ‘Um Político Assume-se - Ensaio Autobiográfico, Político e Ideológico’, na vila alentejana de Ourique, Mário Soares disse que "há uma ideologia que está em força que é o neoliberalismo. E os neoliberais pensam não nas pessoas, mas no dinheiro".

A título de exemplo, o antigo Chefe de Estado aludiu ao Serviço Nacional de Saúde: "Querem destruir a pouco e pouco o SNS", acusou.

Por outro lado, disse, Portugal "nunca" teve "tantas pessoas válidas" em domínios como a ciência, as artes e o desporto.

Quanto à política praticada pelo Governo, o fundador do PS rematou, "acho que isto é uma política de doidos”.

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