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Correio da Manhã

Política
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Mário Soares sujeito a bateria de exames

O antigo Presidente da República Mário Soares passou ontem a segunda noite internado no Hospital da Luz, em Lisboa, onde foi sujeito a uma bateria de exames, entre eles uma tomografia computorizada (TAC), segundo apurou o CM. Durante o dia, esteve acompanhado da família. A sua mulher, Maria Barroso, só abandonou o hospital pouco antes das 19h00, onde o filho João Soares chegou pelas 17h00.
14 de Janeiro de 2013 às 01:00
O antigo Presidente da República Mário Soares ficou internado no mesmo quarto do que Eusébio no Hospital da Luz
O antigo Presidente da República Mário Soares ficou internado no mesmo quarto do que Eusébio no Hospital da Luz FOTO: Jorge Paula

A família, sabe o CM, tem a expectativa de que Mário Soares possa ter alta hospitalar ainda hoje. Há uma semana e meia, o fundador do PS, de 88 anos, ficou com gripe, tendo uma forte recaída na quinta-feira, com um pico de tensão, ao ponto de, por conselho do médico que o acompanha há muitos anos, ter sido levado para o hospital para observação, onde acabaria por ficar internado, por se temer um quadro de pneumonia, que pode ter consequências a nível cardíaco em pacientes mais velhos.

Segundo o comunicado do hospital, o socialista "passou bem a noite de 12 para 13 [...] alimentou-se normalmente e tem estado acompanhado dos seus familiares. Hoje [ontem] repetiu exames complementares de diagnóstico que não revelaram alterações significativas".

Mário Soares recebeu ainda a visita do sobrinho e médico Eduardo Barroso, que regressou ontem do estrangeiro. Fonte socialista adianta que o secretário--geral do PS, António José Seguro, também "acompanhou desde o início e em permanência a situação clínica" de Soares.


"VACINAÇÃO REDUZ PARA METADE OS INTERNAMENTOS"

O pneumologista António Segorbe Luís explica que a gripe pode dar origem a pneumonia e esta a problemas cardiovasculares

Correio da Manhã – O internamento de Mário Soares terá sido ditado pelo risco de pneumonia após uma gripe. Este é um risco real?

António Segorbe Luís – Não comento o caso concreto de Mário Soares e falo apenas em termos conceptuais. A resposta é afirmativa. É raro a gripe evoluir para uma pneumonia viral, mais grave, e acontece mais frequentemente a evolução para uma pneumonia bacteriana.

– Os idosos são mais vulneráveis?

– Sim, o risco é mais elevado e, por isso, acima dos 65 anos, aconselha-se a prevenção com vacina antigripal, em conjunto com a vacina antipneumocócica, o que reduz a metade os internamentos por pneumonia ou formas graves de gripe.

– Além da idade, há outros fatores que aumentam o risco?

– Há fatores que predispõem a complicações da gripe como o tabagismo e doenças como a asma, diabetes, insuficiência renal ou a doença pulmonar obstrutiva crónica.

– Uma pneumonia pode dar origem a um AVC?

– Um dos critérios de gravidade da pneumonia são as consequências cardiovasculares. Há de facto consequências hemodinâmicas e há perturbações circulatórias, que nos idosos afeta a circulação cerebral e por isso ficam confusos.

– Qual o risco de mortalidade da pneumonia e broncopneumonia?

– A pneumonia ou broncopneumonia (uma pneumonia em que o pulmão é atingido em vários focos) contraída na comunidade e que motiva internamento tem um risco de mortalidade superior a 20 por cento quando se tem mais de 65 anos e/ou morbilidades associadas.

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