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Correio da Manhã

Política
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Marques Mendes quer reconquistar o centro

O antigo ministro dos Assuntos Parlamentares Luís Marques Mendes formalizou esta quarta-feira a sua candidatura à liderança do PSD. O social-democrata enunciou cinco ideias fortes para o partido, caso consiga vencer o Congresso extraordinário no próximo mês de Abril, incluindo a ruptura com o CDS-PP.
23 de Fevereiro de 2005 às 17:05
Antes de iniciar a sua comunicação, Marques Mendes agradeceu aos presentes todos os apoios que recebeu nas últimas horas e depois explicou as razões da sua candidatura. O ex-ministro revelou que vai avançar devido à coerência de posições já manifestadas no último Congresso. “Preparar o futuro para conduzir o PSD a uma vida nova”, afirmou. O candidato declarou ser sua intenção conquistar o eleitorado do centro social-democrata, alegando que o partido não pode ser conotado com a “direita populista”. Nesse sentido, disse que, obviamente e com todo o respeito, tem de ser denunciado o acordo pré-eleitoral firmado com o CDS-PP.
O primeiro ponto salientado por Marques Mendes foi o de “recolocar o PSD no espaço que lhe é próprio”. O recém eleito deputado à Assembleia da República pelo círculo de Aveiro quer “reabilitar e enriquecer o debate político e de ideias no seio do partido”. Relativamente ao ponto três do seu discurso, Mendes declarou querer liderar uma oposição forte, com sentido de dever público e com claras propostas e alternativas ao governo.
Marques Mendes pretende a mobilização de todos os sociais-democratas nas próximas eleições autárquicas. Segundo Marques Mendes, o PSD deve concorrer a essas eleições em todos os círculos eleitorais. Objectivo anunciado: ser o partido com maior número de câmaras municipais no País.
Relativamente às presidenciais, o candidato à liderança do PSD não lançou um nome na corrida, manifestando que partido apoiará uma candidatura forte e que sirva o interesse nacional.
Na apresentação da candidatura estiveram presentes Ferreira do Amaral (antigo ministro das Obras Públicas de Cavaco Silva), Isabel Damasceno (autarca de Leiria, o único distrito ganho pelo PSD nas legislativas do passado domingo), Teresa Zambujo (autarca de Oeiras) e Hermínio Loureiro (ex-secretário de Estado) .
Luís Marques Mendes, 47 anos de idade, vai candidatar-se pela segunda vez à presidência do PSD. Fê-lo pela primeira vez há cinco anos, em Viseu, numa disputa a três (com Santana Lopes e Durão Barroso) ganha por Barroso.
NOTAS
NOTÁVEIS EM FORÇA
Inúmeras figuras conhecidas do PSD estiveram ontem presentes na apresentação da candidatura de Marques Mendes à liderança do PSD. Para além de Paula Teixeira da Cruz, Ferreira do Amaral e Pedro Passos Coelho, destacaram-se Falcão e Cunha, Azevedo Soares, ex-ministros de Cavaco Silva, Luís Paes Antunes, secretário de Estado do Trabalho, António Capucho, presidente da Câmara de Sintra, Teresa Zambujo, presidente da Câmara de Oeiras.
PRESIDENCIAIS
Marques Mendes deixou claro que, sob a sua liderança, “o PSD apoiará uma candidatura forte, com possibilidades de ganhar, que sirva o interesse nacional mas que represente também o nosso próprio espaço político”. Deste modo, parece estar fora de hipótese o apoio de uma eventual candidatura de Santana Lopes. Mendes é amigo de Cavaco Silva e Marcelo Rebelo de Sousa, referidos como os nomes mais fortes para as presidenciais.
ACORDO COM CDS
O candidato à liderança do PSD defende que o acordo pré-eleitoral entre o PSD e o CDS-PP deve ser denunciado. Para Marques Mendes, “não se trata de qualquer menosprezo pelo CDS-PP”, mas “sim de afirmar a identidade própria do PSD e a autonomia do projecto social-democrata”.
ELEIÇÕES DIRECTAS
A distrital do PSD do Porto defendeu ontem a realização de eleições directas para a liderança do partido no congresso extraordinário que deverá ser realizado em meados de Abril. Na terça-feira, Santana Lopes defendeu também esse método para a eleição do futuro líder.
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