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Correio da Manhã

Política
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Menezes chama tirano a Mendes

Luís Filipe Menezes solicitou à presidente do Conselho Nacional do PSD, Manuela Ferreira Leite, “a reposição integral dos cadernos eleitorais”, numa conferência de imprensa em que acusou Marques Mendes de se “comportar como um pequeno tirano”. Se até hoje “à noite” nada mudar, o candidato ameaça recorrer à Justiça para repor a “legalidade” do processo eleitoral. O que poderá significar a anulação das directas marcadas para 28 de Setembro.
26 de Setembro de 2007 às 00:00
Filipe Menezes teceu duras críticas ao adversário, Marques Mendes, perante cerca de 400 apoiantes, no Hotel Altis, em Lisboa
Filipe Menezes teceu duras críticas ao adversário, Marques Mendes, perante cerca de 400 apoiantes, no Hotel Altis, em Lisboa FOTO: Inácio Rosa, Lusa
Confrontado com as declarações de Menezes, Marques Mendes acusou o adversário de “baixar” o nível do debate para o “plano do insulto, da chantagem e da mentira”. “Quem quer ser líder do PSD não pode baixar a este nível, não pode ter este tipo de comportamento e de linguagem. Se algumas dúvidas existissem, elas dissiparam-se a partir de hoje [ontem]. Quem se comporta desta forma não pode ser líder do PSD”, afirmou Marques Mendes.
Perante uma plateia de cerca de 400 apoiantes, Menezes acusou o adversário de mostrar “que não tem estatura política e ética para liderar o PSD” e de se “comportar como um pequeno tirano”. Para solucionar o problema de quotas, Menezes sugeriu a reintegração de todos os militantes com quotas pagas nos cadernos eleitorais, retirados por alegados “pagamentos em massa”. E defendeu que deverá ser decretada a “imposição do regulamento em relação aos Açores”, retirando dos cadernos os cerca de oito mil militantes açorianos que não têm as quotas em dia. Em alternativa, o autarca de Gaia sugeriu que, tal como os açorianos, os militantes do Continente e Madeira que paguem as quotas até sexta-feira possam votar.
Caso Ferreira Leite não tome uma posição, Menezes recorre “aos instrumentos que existem num Estado de Direito”. Mas recusou responder se interporá uma providência cautelar para suspender as directas ou impugnar as eleições junto do Tribunal Constitucional. “Primeiro vou esgotar os instrumentos dentro do partido”, disse.
Em causa está a decisão do Conselho de Jurisdição Nacional (CJN) do PSD, após reunião na segunda-feira, de dar “a possibilidade excepcional” a oito mil militantes dos Açores de pagarem as quotas em atraso até ao dia das directas. Ao mesmo tempo que excluiu 1442 militantes dos cadernos eleitorais por “pagamentos irregulares”.
O presidente do CJN, Guilherme Silva, assegurou que não se trata de uma “situação de favor” para os militantes dos Açores. “É dar-lhes a oportunidade de em três dias pagarem as quotas, quando os militantes do Continente tiveram 50 dias para o fazer”, argumentou. Já o porta-voz da candidatura do actual líder do PSD, Macário Correia, acusou Menezes de ter “perdido a cabeça”.
DISCURSO DIRECTO
"O meu adversário, que tanto usa a palavra credibilidade, demonstrou ao longo dos dois últimos meses que não tem estatura política e principalmente ética para continuar a liderar o PSD. Comportou-se como um pequeno tirano, recusou todas as regras."
"[Guilherme Silva] confirma a sua falta de isenção e idoneidade face ao cargo que ocupa [presidente do Conselho de Jurisdição do PSD]."
"Desejo derrotar com clareza este poder apodrecido nas urnas."
"Existem duas possibilidades [para repor a legalidade]: uma dentro do partido, outra recorrendo aos instrumentos que existem num Estado de Direito."
Luís Filipe Menezes
"CANDIDATOS SEM CONDIÇÕES PARA LIDERAR"
Morais Sarmento confidenciou ontem que não apoia nem a candidatura de Marques Mendes nem Luís Filipe Menezes à liderança do PSD porque “nenhum deles tem condições para liderar o partido”. Segundo o homem forte do barrosismo e ex-ministro, os dois candidatos “deviam ter juízo e perceber que é o património do PSD que começa a estar em causa”. Em entrevista ao jornal ‘Expresso’, Morais Sarmento refere-se à actual guerra entre os dois candidatos com um “isto começa a ser mau de mais”. E lembra que “já havia PSD antes destes dois senhores”, assim como “haverá depois deles”. Com lugar cativo na lista dos candidatos, Sarmento considera “muito triste o cenário dos últimos dias”.
O ex-braço-direito de Durão Barroso deu ainda a entender a sua convicção de que haverá mudanças na liderança social-democrata entre as directas de 28 de Setembro e as legislativas de 2009.
APONTAMENTOS
REPÚDIO
Moita Flores, apoiante de Menezes, manifestou “repúdio em relação às práticas inqualificáveis” no partido. “Dei a cara pelo PSD e não para alimentar caciques e gente sem respeito pela legalidade e pelos companheiros”, afirmou.
DESIGUALDADE
José Guilherme Aguiar, membro do Conselho de Jurisdição do PSD, acusa o partido de estar a promover “desigualdade de tratamento” entre os militantes. “Quem defendia o rigor está a tratar de forma desigual os militantes”, disse.
CRÍTICAS
O presidente da JSD, Pedro Rodrigues, criticou a decisão do CJN do PSD e considerou que está em causa a credibilidade do partido. “As regras não podem ser alteradas a uma semana das eleições, não faz sentido”, defendeu Pedro Rodrigues.
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