Barra Cofina

Correio da Manhã

Política
3

Menezes defende nova Constituição

Portugal precisa de uma nova Constituição." A tese é do líder do PSD, Luís Filipe Menezes, que ontem, no encerramento do XII congresso regional do PSD-Madeira, sublinhou que "a autonomia não tem limites".
7 de Abril de 2008 às 00:30
Luís Filipe Menezes, Ângelo Correia e Alberto João Jardim no XII congresso regional do PSD
Luís Filipe Menezes, Ângelo Correia e Alberto João Jardim no XII congresso regional do PSD FOTO: Homem de Gouveia/Lusa

Num encontro da família laranja, marcado como o último da liderança de Alberto João Jardim no PSD-Madeira, o líder nacional dos sociais-democratas considerou que mais do que uma revisão, 'o País precisa de uma nova Constituição'. 'Já passaram 35 anos, sendo altura de dizer que esta não seria a Constituição da República se não tivesse sido redigida sob o cutelo da pressão do sequestro sobre o Parlamento', salientou Luís Filipe Menezes.

Segundo o líder do PSD, esta nova Constituição deverá ter em conta 'outras formas de organização jurídico-constitucional,outrasregras no relacionamento do Estado central com as autarquias e regiões'. O discurso de Menezes deu ainda lugar a promessas, nomeadamente a garantia do fim do 'défice de informação' que acredita existir em relação à região da Madeira.

'O PSfala com grande dificuldade da autonomia porque foi sempre o grande adversário da institucionalização das autonomias da Madeira e dos Açores', referiu Menezes, para quem 'a autonomia não tem limites'. Neste sentido, adiantou que o aprofundamento da autonomia será uma das bandeiras do PSD nacional. 'Não faz sentido a situação actual de colocar um garrote à volta da vontade de afirmação e desenvolvimento da Madeira, cerceando a sua capacidade de autofinanciamento através de leis da República', realçou.

O Governo de José Sócrates foi um dos alvos de ataque no discurso de Menezes, pela ausência de 'um projecto de governação' e por estar 'apostado no controlo do poder'. A terceira travessia do Tejo foi o exemplo que o líder do PSD usou como um dos 'redondos falhanços da governação socialista', considerando-a um 'investimentodesnecessário'.Menezes destacou ainda o 'bom caminho' que está a ser seguido pelos sociais-democratas, 'com um líder nacional, cheio de defeitos, que é tão atacado e criticado como o presidente do Governo Regional da Madeira', ironizou.

'ESPIRÍTOS QUE SE MASTURBAM'

O líder do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, aproveitou o discurso de encerramento do XII Congresso regional dos sociais-democratas para dirigir uma palavra de solidariedade ao presidente do PSD, Luís Filipe Menezes. 'Deixe lá os espíritos que se masturbam, deixe esses espíritos andarem nas suas confabulações, nós temos muito que fazer para que Portugal volte, de novo, aos caminhos que precisa e necessita de trilhar', disse numa alusão aos críticos do líder laranja, como é o caso do comentador Pacheco Pereira e do autarca do Porto, Rui Rio. Naquele que foi o último encontro de sociais-democratas na Madeira com Jardim à frente do Governo Regional, o presidente da região autónoma pediu a Menezes para 'pegar nas bandeiras' hasteadas por Sá Carneiro, de combate e contestação ao actual sistema político-constitucional, para 'salvar o País'. Jardim criticou ainda as causas fracturantes do Governo da República, gracejando que, 'se isto vai por este caminho, eu cá quero morrer antes que seja obrigatório'.

Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)