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Correio da Manhã

Política
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Merlin geram mais 125 milhões de euros

A manutenção dos 12 helicópteros EH-101 ‘Merlin’ em Portugal deverá gerar um montante de contrapartidas económicas superiores a 125 milhões de euros. A concretizar-se este contrato, o valor total de contrapartidas resultante da aquisição destes ‘helis’ ascenderá a 528 milhões de euros.
15 de Janeiro de 2007 às 00:00
Depois de meses de negociações entre o Ministério da Defesa e a Comissão Permanente de Contrapartidas (CPC), presidida por Rui Neves, com a AWIL – AgustaWestland International, a empresa italiana a quem Portugal comprou os ‘helis’ em 2001, os responsáveis italianos daquela indústria militar manifestaram “a intenção de criar em Portugal uma capacidade de manutenção de helicópteros competitiva”.
Para isso, segundo apurou o CM, a AWIL “propôs que as transferências de tecnologias associadas [à manutenção dos ‘helis’] integrassem o plano de contrapartidas” ligado à aquisição dos 12 helicópteros. Com a aquisição destes ‘helis’ por 446 milhões de euros, Portugal obteve contrapartidas económicas de 403 milhões de euros. A este montante, serão acrescidos mais 125 milhões de euros resultantes do contrato de manutenção que a CPC está a negociar com a AWIL.
A aquisição dos Helicópteros EH-101 ‘Merlin’ envolve 13 empresas beneficiárias, entre as quais OGMA – Oficinas Gerais de Material Aeronáutico, EFACEC e Iberomoldes.
INVESTIMENTOS EM RISCO
O Governo parece disposto a transformar as contrapartidas económicas da compra de equipamento militar para as Forças Armadas numa “oportunidade e benefício em termos de inovação e progresso tecnológico”, nas palavras do próprio ministro da Defesa, Severiano Teixeira. Como o CM já noticiou, o atraso na execução do investimento estrangeiro obtido através do reequipamento militar coloca em risco cerca de dois mil milhões de euros, 66 por cento de um total de três mil milhões de euros. Por isso, Severiano Teixeira, ministro da Defesa e Manuel Pinho, ministro da Economia, e o próprio novo presidente da Comissão Permanente de Contrapartidas (CPC), embaixador Pedro Catarino, deixaram claro, na tomada de posse do embaixador, que “precisamos de uma gestão das contrapartidas sólida, profissional e transparente”.
UM ROOLS-ROYCE NO CÉU
O Helicóptero EH-101 ‘Merlin’ é considerado pelos especialistas militares como o Rolls-Royce dos helicópteros modernos. Adquiridos em 2002, após um concurso internacional concluído em 2001, estes ‘helis’ começaram a operar na Força Aérea Portuguesa (FAP) no início de 2006, substituindo os velhos ‘Puma’, cuja idade de serviço era superior a 30 anos. A FAP utiliza estes helicópteros em missões de transporte, busca e salvamento e vigilância e reconhecimento do território, e ainda em operações de fiscalização e controlo das actividades de pesca nas águas de jurisdição portuguesa.
NÚMEROS
- 528 milhões de euros é o total de contrapartidas obtidas com a compra e manutenção dos 12 ‘Merlin’.
- 125 milhões de euros é o valor das contrapartidas geradas pela manutenção dos 12 ‘Merlin’ em Portugal.
- 446 milhões de euros é o montante que o Estado irá pagar pela aquisição de 12 helicópteros ‘Merlin’.
- 8 anos, contados desde 15 de Fevereiro de 2002, é o prazo para implementar o plano de contrapartidas.
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