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Correio da Manhã

Política
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MILITANTES TÊM MEDO DE FALAR

A disputa pela distrital do PSD-Bragança está ao rubro. Estão duas listas em confronto com discursos e posições antagónicas que prometem animar as hostes social-democratas até ao próximo domingo, dia 16 de Março, altura em que os mais de 600 militantes com direito a voto vão ter de optar entre Beraldino Pinto ou Luís Afonso.
10 de Março de 2003 às 00:00
Na apresentação da sua candidatura, Luís Afonso, líder social-democrata na Assembleia Municipal de Bragança, atacou forte ao afirmar que "o partido é uma quinta de apenas duas pessoas – Telmo Moreno (actual presidente da distrital) e Adão Silva (secretário de Estado Adjunto do Ministro da Saúde) – que, no futuro pretendem, que venha a ser apenas do último”. Segundo Luís Afonso, “nas assembleias concelhias as pessoas evitam manifestar--se na hora de tomar decisões, há a questão dos empregos e promoções, deles e dos seus familiares, que os condiciona porque sabem que se o fizerem podem sofrer represálias do poder instalado que aterroriza e ainda mete medo às pessoas".

Ainda nas palavras deste candidato à distrital do PSD de Bragança,"as decisões, que deviam ser discutidas no interior do partido, são tomadas apenas por uma pequena minoria responsável do aparelho que controla tudo quanto se passa na estrutura partidária”. “É necessário mudar o PSD, fazer dele mais democrático, transparente e não é uma oligarquia em que o poder passa das maõs de uns para outros, jogando com as pessoas como se estas fossem marionetes", defende Luís Afonso.

Beraldino Pinto, presidente da Câmara Municipal de Macedo de Cavaleiros, candidato apoiado por Telmo Moreno, disse-se chocado com as afirmações de Luís Afonso trazidas para a praça pública. “Dá a impressão que estão distantes da realidade e não conhecem a forma como funciona o PSD e a forma de trabalho abnegada dos militantes" – acrescenta Beraldino Pinto.
Confrontado com a acusação de ser o candidato do "aparelho" Beraldino Pinto é taxativo: "Se ser do aparelho é fazer parte de grupos que planeiam e executam campanhas que dão os resultados que o partido alcançou nas autárquicas e legislativas, então eu tenho muito prazer em fazer parte do aparelho".
O secretário de Estado Adjunto do Ministro da Saúde, Adão Silva, que também é candidato a vice-presidente da distrital do partido, afirma, por sua vez, que as declarações de Luís Afonso "revelam a perturbação por parte de quem as proferiu”.

“ O PSD é um partido democrático em que os seus militantes sabem os seus direitos e deveres. Não sei o que é ser dono de uma Quinta" nem de ninguém. Palpita-me que, quem está com medo é Luís Afonso que ficou cego de ambição de ser presidente da distrital e agora tem receio de uma possível derrota", concluiu o governante.
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