Barra Cofina

Correio da Manhã

Política
3

Militar não acredita em revolta militar ou golpe de estado em Portugal

O general Loureiro dos Santos destaca que o protesto de militares convocado para amanhã, 12, é legal e resulta de um descontentamento igual ao de muitos portugueses, mas "mais nada", sublinhando que os militares são "democratas" e "obedecem ao Governo".
11 de Novembro de 2011 às 08:40
General Loureiro dos Santos
General Loureiro dos Santos FOTO: Correio da Manhã / Joana Correia

"De um modo geral, a ideia que temos sobre os militares na União Europeia, e no nosso País, é que são democratas, cumprem a lei, obedecem ao Governo e estão disponíveis para efectuar o que lhes determinam. Isso não significa que não estejam insatisfeitos com algum tipo de medidas", disse o general à agência Lusa. Para Loureiro dos Santos, não existe por isso a possibilidade de golpe de Estado ou revolta militar em Portugal ou em qualquer outro país europeu.

Quanto à manifestação que as três associações socioprofissionais das Forças Armadas convocaram para amanhã, 12, em Lisboa, Loureiro dos Santos diz que resulta da insatisfação dos militares em relação a algumas medidas do Governo, adoptadas no âmbito da contenção orçamental, destacando o congelamento das promoções e a diminuição de verbas para a assistência médica.

"Essas duas questões estão a originar que os militares usem um direito e tenham decidido levar a efeito uma manifestação. Legal, à paisana, à civil, não fardados. Têm o direito de o fazer, e é um direito que existe em vários países da União Europeia, e mais nada, isto é, agem de acordo com aquilo que a lei lhes permite", acrescentou.

"Os militares são portugueses, são cidadãos e sentem os mesmos problemas e dificuldades que sentem todos os outros portugueses", disse ainda.

Também o general Garcia Leandro reconhece que os militares têm o direito à manifestação, mas considera que os protestos - de militares e de outros grupos profissionais - não são aquilo que mais beneficia ao país neste momento.

"Cada um pode fazer as manifestações a que tem direito na lei. Mas uma coisa é ter direito e outra é usar. Em termos dos interesses do país neste momento talvez seja melhor estar quieto", disse à agência Lusa, explicando que "qualquer sinal de instabilidade dentro do país tem consequências" a nível internacional.

"Toda a gente tem direito a ter insatisfação. Mas tem de se resolver a situação. Têm de se acertar as contas, não há alternativa", reforçou, sublinhando que os problemas do país, que é uma "sociedade organizada" e onde existe "estabilidade", só se podem resolver desta forma, afastando totalmente, como Loureiro dos Santos, qualquer possibilidade de uma intervenção militar: "Numa sociedade organizada os militares não tem papel nenhum aí".

Questionado sobre o caso grego, onde todas as chefias militares e dezenas de oficiais superiores foram recentemente substituídos, Garcia Leandro respondeu não ter "ideia nenhuma" do que levou a esta medida, mas considerou que "a situação na Grécia não tem comparação com o que se passa em Portugal" e que também "o comportamento da sociedade e da população grega não têm comparação nenhuma": "Na nossa sociedade, na nossa população, há uma enorme tranquilidade", afirmou.

Já Loureiro dos Santos considera que, "no mínimo, a direcção política grega não se sentia confortável com aquelas chefias militares", mas destaca que as Forças Armadas da Grécia "estão nos quartéis", mantêm a sua rotina e cooperam com a NATO e com a UE.

general loureiro dos santos militares protesto revolta golpe de Estado
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)