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Correio da Manhã

Política
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MILITARES DA RENAMO AMEAÇAM REVOLTAR-SE

A aproximação das eleições em Moçambique, marcadas para 19 de Novembro, está a agitar a situação política no seio da Renamo. De tal modo que Manuel Monteiro adiou a visita que deveria ter iniciado ontem a este país africano.
25 de Agosto de 2003 às 00:00
Manuel Monteiro deveria encontrar-se hoje com o líder da Renamo
Manuel Monteiro deveria encontrar-se hoje com o líder da Renamo FOTO: Marta Vitorino
O futuro líder da Nova Democracia recebeu uma mensagem do presidente da Renamo, Afonso Dhlakama, adiando encontros já agendados. Ao que o Correio da Manhã conseguiu apurar, os militares acantonados na província de Niassa estão descontentes com a direcção do partido e ameaçam revoltar-se.
Terminada a guerra civil, em 1992, os militares da Renamo foram acantonados com a promessa de serem progressivamente reintegrados na sociedade moçambicana. Os anos passaram e muitos continuam nos quartéis sem qualquer ocupação e sem verem cumpridas as promessas que lhe foram feitas. Os militares entendem que a direcção da Renamo não tem feito tudo o que estaria ao seu alcance e ameaçam revoltar-se a qualquer momento.
Com a proximidade da campanha eleitoral, os militares começam a ouvir as mesmas promessas de sempre, mas a paciência parece ter chegado ao fim. Os problemas estão a surgir em várias províncias do país, mas a situação mais preocupante é em Niassa, com os militares da Renamo a ameaçarem pegar em armas. Afonso Dhlakama viu-se forçado a deslocar-se a esta província no norte de Moçambique para tentar acalmar os ânimos dos homens que lutaram ao seu lado durante a guerra civil que opôs a Renamo à Frelimo.
Manuel Monteiro deveria encontrar-se hoje com Afonso Dhlakama em Quelimane, no centro do país, mas acabou por adiar a viagem no último momento, por motivos de segurança. "As informações que recebi de Moçambique indicam que este não será o melhor momento para me deslocar ao país, muito menos acompanhado pela minha mulher, por isso achei por bem adiar a viagem", explicou ao CM Manuel Monteiro. Além disso, acrescentou, "não vai ser possível ao líder da Renamo cumprir as iniciativas que tinhamos agendado para os próximos dias, é melhor adiar".
OBJECTIVOS
RETOMAR RELAÇÕES
O objectivo da deslocação de Manuel Monteiro a Moçambique era o de restabelecer as relações políticas com a Renamo. Tal como já fez com a Unita, em Angola, o futuro líder da Nova Democracia quer restabelecer o bom entendimento que sempre manteve com Afonso Dhlakama enquanto foi líder do CDS-PP.
INICIATIVAS ADIADAS
Manuel Monteiro iria participar na campanha eleitoral da Renamo para as eleições autárquicas, marcadas para o próximo dia 11 de Novembro.
Além de participar na campanha eleitoral, o futuro líder da Nova Democracia foi também convidado para realizar uma conferência para os quadros do partido.
O encontro com o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, estava marcado para hoje em Quelimane, no centro do país.
'MOTIVOS DE FORÇA MAIOR'
Na mensagem que enviou a Manuel Monteiro, a que o CM teve acesso, Afonso Dhlakama nunca se refere directamente à situação das tropas acantonadas. O líder da Renamo prefere falar em "motivos de força maior".
"Fui, por motivos de força maior, obrigado a ter mesmo que avançar para a província do Niassa (norte de Moçambique), onde as estruturas locais do partido me aguardam desde o dia 20 de Agosto", escreve Dhlakama.
O presidente da Renamo confessa que esse atraso "fez com que algumas situações de carácter político e organizativo se começassem a deteriorar com alguma gravidade tal que poderia trazer consigo consequências políticas imprevisíveis, para além de afectar o ritmo de realização das próprias conferências tanto provinciais, como as das cidades e vilas onde vão decorrer as eleições autárquicas, no dia 19 de Novembro de 2003".
Sem nunca referir expressamente o problema, acrescenta ainda: "A velocidade dos acontecimentos sócio-políticos forçou-me, contra toda a expectativa, a adiar o nosso encontro agendado para o dia 25". A terminar a mensagem, Afonso Dhlakama refere que "para o seu controle" as razões que o levaram a solicitar este adiamento "tinham de ter uma resposta pontual".
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