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Correio da Manhã

Política
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Militares resistem a corte de salários

Os militares estão dispostos a ir até às últimas consequências para travar a regressão de salários decidida pelo Governo. O recurso à Justiça parece estar iminente.
6 de Janeiro de 2012 às 01:00
Militares têm agendado vários protestos contra cortes salariais
Militares têm agendado vários protestos contra cortes salariais FOTO: João Miguel Rodrigues

"Todos os caminhos jurídicos, políticos e técnicos estão em cima da mesa para travar esta proposta", afirmou António Lima Coelho, da Associação Nacional de Sargentos, ao CM. Também sobre o recurso aos tribunais, Luís Reis, da Associação de Praças, assegurou ao CM: "É uma hipótese que estamos a equacionar."

A Associação de Oficiais das Forças Armadas, por seu turno, considerou, através de um comunicado à comunicação social, e subscrito pelo presidente, Manuel Cracel, esta regressão "injusta" e "insultuosa".

No centro da polémica está o facto de cerca de quatro mil militares das Forças Armadas verem, a partir do corrente mês, os seus salários reduzidos em consequência do reposicionamento na tabela remuneratória. A decisão do Governo surgiu depois de a Inspecção-Geral das Finanças ter detectado, em 2010, ilegalidades e irregularidades nas progressões retributivas atribuídas aos militares.

Perante esta decisão, os militares prometem "não baixar os braços" e vão fazer jus ao "direito à resistência". As três associações são na manhã desta sexta--feira recebidas pelo chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas, Luís Araújo.

CONTRA SILÊNCIO DE CHEFES

As palavras do CEMGFA, Luís Araújo, no final da reunião desta semana entre as chefias militares e o ministro da Defesa, não foram do agrado das associações de militares. "Os militares vão com certeza, como sempre fizeram, cumprir com o que foi estabelecido", afirmou o general. "Os chefes não podem cumprir estas ordens sem esclarecer que não houve qualquer irregularidade por culpa dos militares", defendeu Luís Reis, da Associação de Praças. "Vimos as suas palavras com muita preocupação", comentou Lima Coelho, da Associação de Sargentos, apontando ainda o dedo "ao estranho silêncio do Comandante Supremo [ Cavaco Silva]" sobre esta matéria. "Remete para o ditado que diz que quem cala consente", atirou.

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