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Ministro da agricultura anuncia em Valpaços apoios para produtores afetados pelos incêndios

Só de vinha, segundo José Manuel Fernandes, terão sido atingidos cerca de 500 hectares neste concelho.

03 de agosto de 2026 às 14:02

O ministro da Agricultura anunciou esta segunda-feira a abertura de avisos para a reposição do potencial produtivo após os estragos em vinha, olival e amendoal causados pelo incêndio que começou em Valpaços e atingiu 13,8 mil hectares.

"No apoio que está nas mãos do ministro da Agricultura, nós avançaremos com avisos para a reposição de potencial produtivo. Tem normas, são apoiadas as explorações que tiveram um dano superior a 30%. Infelizmente, há um grande número de explorações que tiveram muito mais do que 30%", afirmou José Manuel Fernandes.

Depois de reunir com autarcas, produtores e associações do concelho de Valpaços, o ministro da Agricultura e Mar descreveu um incêndio de "enormes dimensões" que atingiu 10 mil hectares só neste concelho do distrito de Vila Real, estendendo-se a Mirandela e Vinhais (Bragança), num total de 13,8 mil hectares.

José Manuel Fernandes falou aos jornalistas já depois, junto a uma vinha queimada pelo fogo, na freguesia de Santa Valha.

"Nós tivemos aqui olival, vinha, como é neste caso, amendoal, que foram devastados. Até aos 10 mil euros é 100% e depois até aos 400 mil há uma redução, sendo que o mínimo de cofinanciamento é de 50%", acrescentou o governante.

Em curso está, segundo adiantou, a ser feito o levantamento dos prejuízos por parte da câmara municipal, o qual será, depois, enviado para a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N).

Só de vinha, segundo José Manuel Fernandes, terão sido atingidos cerca de 500 hectares neste concelho.

Segundo acrescentou, o Governo publicou em agosto de 2025 um decreto-lei que prevê apoios para incêndios de grave e de elevada dimensão e com elevados prejuízos, onde já estão tipificados esses apoios.

Explicou que é necessário uma resolução do Conselho de Ministros para que estes apoios possam avançar, mas também antes que a Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANEPC) e o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) façam a delimitação da área".

"Independentemente desta resolução, o aviso para a reposição de potencial produtivo vai avançar. Também já pedi para que os recursos do VITIS que não foram utilizados possam ir para a vinha que teve menos de 30% da afetação", salientou.

Portanto, frisou, "o objetivo é apoiar o maior número possível de agricultores e de produtores".

O ministro apontou ainda à solidariedade nacional, referindo que confederações e também a Associação Industrial de Rações já se ofereceram para contribuir com alimentos para os animais que ficarem sem pastos na consequência do fogo.

"Isso é uma urgência que também já está a acontecer e esse alimento, face à inexistência de pastos, é algo que também avançamos", salientou.

Segundo o ministro, o ICNF vai também a avançar com ações de estabilização de emergência nas zonas mais críticas, para evitar, por exemplo, a contaminações de águas e escorrimento de cinzas em caso de chuvas intensas.

Questionado sobre o pedido feito pela Câmara de Valpaços para que seja decretada situação de calamidade, José Manuel Fernandes respondeu: - "Com o decreto-lei que aprovamos em agosto de 2025, os apoios podem surgir sem a necessidade de se declarar a situação de calamidade".

"Eu não estou a dizer que não há intenção do governo, o que eu estou a dizer é que há um decreto-lei que foi aprovado em 25 de agosto de 2025, que serve para apoios para situações desta natureza e a condição é que haja elevados prejuízos e seja um incêndio de grandes dimensões, implica uma delimitação, por parte ANEPC e do ICNF", acrescentou perante a insistência dos jornalistas na questão da calamidade.

O ministro visitou esta segunda-feira aldeias afetadas pelo incêndio que deflagrou terça-feira, na zona do Cabeço, Ervões, concelho de Valpaços, distrito de Vila Real, e entrou nos concelhos de Mirandela, Vinhais e Macedo de Cavaleiros, já no distrito de Bragança, concelhos que serão visitados pelo governante durante a tarde.

O fogo entrou em resolução na madrugada de sábado, durante o fim de semana sofreu reativações, mas no domingo à noite foi dado como estando em conclusão.

"A nossa presença aqui significa apoio, significa proximidade, mas também agradecimento a todos aqueles que fizeram um trabalho notável e eu estive com as pessoas onde foi realçado esse trabalho e essa coordenação", salientou José Manuel Fernandes.

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