Fabian Figueiredo desafiou Fernando Alexandre a dizer a verdade sobre o projeto-piloto de digitalização dos exames nacionais de Filosofia e Matemática.
O ministro da Educação afirmou esta sexta-feira que diz sempre a verdade e acusou o Bloco de Esquerda de tentar "lançar a ignomínia sobre as pessoas".
"Eu digo sempre a verdade, direi sempre a verdade, não sei fazer as coisas de outra maneira (...). E lamento muito que haja partidos que, de facto, tentam lançar a ignomínia sobre as pessoas, lançando lama para cima das pessoas. Lamento mesmo", referiu.
Fernando Alexandre reagia às declarações do deputado do Bloco de Esquerda, Fabian Figueiredo, que o desafiou a dizer a verdade sobre o projeto-piloto de digitalização dos exames nacionais de Filosofia e Matemática.
"Eu digo sempre a verdade", reiterou o ministro.
E acrescentou que está sempre disponível para prestar todos os esclarecimentos.
"Já fui três vezes ao Parlamento falar sobre este tema, mesmo no meio do processo. Vejam, enquanto nós estávamos a resolver o problema, eu e a minha equipa tivemos de ser desviados do problema para ir três vezes ao Parlamento (...). Estamos sempre disponíveis para disponibilizar todos os dados, toda a informação será dada", referiu.
Na quinta-feira, o Bloco de Esquerda requereu acesso a todas as informações escritas sobre o projeto-piloto de digitalização do exame nacional de Filosofia e da prova de Matemática do 9.º ano, bem como cópia das cartas de demissão apresentadas por coordenadores regionais do Júri Nacional de Exames.
Num requerimento dirigido ao Ministério da Educação, Ciência e Inovação, Fabian Figueiredo lembra que esta semana, em audição no parlamento, o ministro da Educação, Fernando Alexandre, afirmou que "o Governo não tem relatório nenhum" que identificasse falhas no projeto-piloto de correção digital do exame de Filosofia de 2025, tendo o secretário de Estado Adjunto e da Educação declarado que "o Governo não ignorou alertas".
"No mesmo dia, foi tornada pública informação, com confirmação do próprio Ministério da Educação, quanto às demissões de pelo menos três dos sete coordenadores regionais do Júri Nacional de Exames e vários responsáveis por agrupamentos de exames", em 2025, "após terem comunicado ao Secretário de Estado as falhas verificadas na digitalização das provas de Matemática do 9.º ano e de Filosofia do 11.º ano", lê-se no requerimento.
Fabian Figueiredo afirma que, "segundo a mesma informação, o secretário de Estado terá solicitado um relatório aos coordenadores dos então 34 agrupamentos de exames na sequência do atraso na afixação das pautas de 2025, e alguns desses relatórios continham já referências às falhas do exame de Filosofia, às dificuldades de acesso à plataforma pelos classificadores e ao desaparecimento de folhas de continuação, os problemas que se generalizaram em 2026".
"Existe, pois, uma contradição de facto entre as declarações prestadas no parlamento e a informação tornada pública, cuja resolução não pode assentar em declarações, mas apenas no acesso à documentação de suporte", argumenta o deputado único bloquista.
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