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Correio da Manhã

Política
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Segunda demissão no Governo por licenciaturas falsas

Nuno Félix demitiu-se do cargo de chefe de gabinete do secretário de Estado da Juventude e do Desporto.
28 de Outubro de 2016 às 18:23
Nuno Félix demitiu-se do cargo de chefe de gabinete do secretário de Estado da Juventude e do Desporto.
O chefe de gabinete do secretário de Estado da Juventude e do Desporto declarou, para efeitos do despacho de nomeação publicado em Diário da República, que era licenciado mas as universidades negam que o antigo aluno tivesse acabado os cursos, avança o Observador.

Segundo o Observador, o ministro da Educação sabia que Nuno Félix não tinha os dois cursos superiores que dizia ter - um em Ciências da Comunicação na Universidade Nova de Lisboa e outro em Direito na Universidade Autónoma de Lisboa - mas manteve-o no cargo de chefe de gabinete. No entanto, Tiago Brandão emitiu um comunicado, esta sexta-feira, sobre a demissão de Nuno Félix e nega que tenha tido conhecimento que Nuno Félix tenha assumido o cargo indicando ter duas licenciaturas que nunca concluiu.

O Observador contactou as Universidades, que confirmaram a inscrição de Nuno nos cursos mas não a sua conclusão. Após ser confrontado com estes factos, esta sexta-feira, Nuno Félix demitiu-se.

Foi o Ministério da Educação quem, em resposta ao jornal, deu conta da saída do chefe de gabinete do secretário de Estado da Juventude e do Desporto.

O visado também se pronunciou: "Nunca disse para nenhuma das funções que exerci que era licenciado. Mas sim, que tinha a frequêncoa do ensino superior. Importa dizer que o meu percurso académico sempre foi público, até pelas funções que desempenhei enquanto estudante, como dirigente estudantil", respondeu Nuno Félix ao Observador quando confrontado com a situação.

Nuno Félix tinha ao seu dispor um motorista do ministério que o ia buscar e levar a casa em São Martinho do Porto. Ao todo, o motorista fazia cerca de 220 quilómetros por dia.

O antigo secretário de Estado, João Wengorovius Meneses, após saber da situação de Nuno Félix comunicou ao ministro da Educação que pretendia exonerar Nuno Félix do cargo de chefe de gabinete e propõs outra pessoa. No entanto, o ministro impediu a demissão e transmitiu-lhe essa ordem por e-mail.

A 13 de abril Wengorovius demitiu-se da secretaria de Estado, sem nunca se referir a este caso. Mas deixou expresso, numa mensagem publicada no Facebook, o seu descontentamento. "[Saio] em profundo desacordo com o Sr. Ministro da Educação no que diz respeito à política para a juventude e o desporto, e ao modo de estar no exercício de cargos públicos".
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