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Correio da Manhã

Política
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MINISTRO DENUNCIA CABALA

O ministro dos Assuntos Parlamentares, Rui Gomes da Silva, compareceu esta terça-feira em audiência aberta na Alta Autoridade para a Comunicação Social (AACS), para falar sobre a saída de Marcelo Rebelo de Sousa da TVI. O governante sugeriu que o comentador estava envolvido, com os jornais 'Expresso' e 'Público' numa cabala contra o Governo.
19 de Outubro de 2004 às 14:22
Na sequência da inesperada saída de Marcelo Rebelo de Sousa da TVI e da consequente polémica a respeito de eventuais pressões do Governo nesse sentido, a AACS decidiu chamar os principais intervenientes: o ministro, o patrão e o professor.
O ministro, por ter dito dois antes que Marcelo usava o seu espaço dominical de comentário na TVI para exprimir o seu ódio a Santana Lopes (primeiro-ministro). O 'patrão', Miguel Paes do Amaral, presidente da Media Capital, por ter chamado o professor para uma conversa, durante a qual este apresentou a sua demissão, dois dias depois dos comentérios feitos pelo ministro. E o 'professor', Marcelo Rebelo de Sousa, para explicar porque se demitiu e revelar as razões que tem mantido em segredo.
Esta manhã, pelas 09h30, foi a vez do ministro. Rui Gomes da Silva pediu que a audiência fosse aberta aos jornalistas, pelo que ficou devidamente registado o seu deslize político.
Além de insistir na tese da cabala, de uma espécie de conspiração contra o Governo urdida por dois jornais e um professor universitário, o ministro, a dado momento, disse que as acções da TVI até subiram depois da demissão de Marcelo Rebelo de Sousa. Foi, obviamente, um comentário infeliz, por poder ser interpretado em dois sentidos, e que o próprio ministro tentou remediar prontamente.
Gomes da Silva insistiu também na linha de argumentação com base na qual defendia a tese da falta de contraditório sobre os comentários televisivos de Marcelo Rebelo de Sousa. Um membro da AASC explicou-lhe que o contraditório se aplica a informação, não a opinião. O ministro calou-se, sem encontrar uma resposta e percebendo a 'morte' da sua linha de argumentação.
Quanto à cabala, a tese do ministro é simples, apesar de difamatória da dignidade editorial de dois importantes jornais portugueses. O "Expresso" 'punha a bola em campo' ao sábado, o "Público" insistia na 'desmarcação' ao domingo e, à noite, Marcelo Rebelo de Sousa desenvolvia o tema na TVI. De acordo com o ministro, o comentador desenvolvia o tema recorrendo a afirmações "falsas" e "constantemente negativas".
Gomes da Silva concluiu pela impossibilidade de haver relações de influência do poder político sobre a Comunicação Social e, especificamente sobre a saída de Marcelo da TVI dois dias depois de ele, o ministro, o ter criticado publicamente, comentou: "Não há nenhuma prova da pressão".
Na próxima quinta-feira, a AACS ouve os depoimentos de Miguel Paes do Amaral e do director de Informação da TVI, José Eduardo Moniz. O primeiro comparece de manhã e o segundo à tarde. Na próxima semana será a vez de Marcelo Rebelo de Sousa.
Entretanto, na próxima segunda-feira, dia 25, Paes do Amaral presta esclarecimentos perante a Subcomissão de Direitos Fundamentais e Comunicação Social da Assembleia da República. O PS queria que o 'ministro' e o 'professor' também fossem ouvidos nesta subcomissão, mas a maioria PSD / CDS-PP bloqueou o requerimento.
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