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Correio da Manhã

Política
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Ministro não tem resposta

A dois meses do referendo, o ministro da Saúde, Correia de Campos, considera ser “prematuro” falar das clínicas privadas que se vão recusar a praticar a Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG). O modelo de financiamento para o Serviço Nacional de Saúde (SNS) ainda não está definido.
17 de Dezembro de 2006 às 00:00
Correia de Campos considera prematuro falar de clínicas privadas
Correia de Campos considera prematuro falar de clínicas privadas FOTO: Sérgio Lemos
O ministro reagia à notícia avançada pelo ‘Expresso’, que dava conta da existência de cinco clínicas privadas que se recusarão a realizar IVG, caso o ‘Sim’ vença no referendo marcado para 11 de Fevereiro. São elas: os Hospitais da Cuf, a Clínica de Santo António, a Casa de Saúde da Boavista, a Clínica de São Lázaro e a Clínica de Todos os Santos. A razão para a recusa prende-se com “questões de ordem ética e deontológica” e por defenderem que não se deve “transformar o aborto num mero método contraceptivo”.
O SNS deverá “proporcionar os meios para que a IVG se concretize”, assegura Miguel Vieira, assessor do ministro da Saúde. Porém, admite que o Ministério ainda não definiu o modelo de financiamento para esta matéria. Luís Graça, director do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital de Santa Maria, garante que naquela unidade médica “não se vão fazer IVG a pedido”.
A solução pode passar pela legalização de clínicas especializadas para o efeito, já existentes actualmente a actuar na clandestinidade, ou pela criação de outras que pretendam obter essa autorização. Para já, em Lisboa, está prevista a instalação de duas clínicas: a Clínica de Los Arcos e a Mary Stopes Internacional. O Hospital do SAMS de Lisboa, o Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa e a Clínica Particular de Barcelos garantem que agirão “em conformidade com a lei”.
SAIBA MAIS
MOVIMENTO
O Movimento Intervenção e Cidadania anunciou que pretende promover o debate. O objectivo é incentivar os portugueses a votar no referendo.
NÚMEROS
A Associação Portuguesa para o Planeamento da Família concluiu que em Portugal se realizaram entre 17 a 18 mil abortos clandestinos, no ano passado. Destes, cerca de 1400 deram origem a internamento hospitalar por complicações derivadas.
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