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Correio da Manhã

Política
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MINISTROS VIGIAM BARCO DO ABORTO

Cinco ministros, incluindo o primeiro-ministro, seguem atentamente o desenrolar dos acontecimentos relacionados com a chegada, prevista para domingo, do ‘Barco do Aborto’ a Portugal.
28 de Agosto de 2004 às 00:00
Embora oficialmente desdramatize a situação, dizendo que o assunto tem a ver “única e exclusivamente com questões de tráfego marítimo”, a verdade é que o Governo não consegue esconder a sua inquietação ao criar um grupo de acompanhamento ao mais alto nível composto, segundo revelou ontem o ministro dos Assuntos Parlamentares, Rui Gomes da Silva, “pelo primeiro- -ministro (Santana Lopes) e pelos ministros da Defesa (Paulo Portas), Administração Interna (Daniel Sanches), Saúde (Filipe Pereira) e Obras Públicas (António Mexia)”.
A preocupação do Governo parece estar relacionada com a possibilidade do navio da organização holandesa ‘Womem on Waves’, que pernanecerá em água portuguesas até ao dia 12 de Setembro, relançar a polémica questão da legalização da interrupção voluntária da gravidez.
Apesar do inequívoco ‘não’ à despenalização do aborto no referendo de 1998, a questão continua a dividir não só a sociedade portuguesa mas também os partidos políticos. Os partidos da esquerda, como PCP e o BE, sempre defenderam a legalização do aborto. No PS, PSD e mesmo no CDS-PP, a questão é fracturante.
Anteontem, o candidato à liderança do PS José Sócrates, juntou-se aos que defendem um novo referendo ao aborto colocando a questão na agenda política. Perante isto, Rui Gomes da Silva foi ontem muito claro: “O Governo irá sempre recusar qualquer cedência ou qualquer tentativa de marcação da agenda política que não seja feita pelos portugueses”. “Politicamente não temos de retirar consequências da vinda de qualquer barco, avião ou comboio. Se o Governo marcasse a sua agenda em função da chegada de qualquer meio de transporte, então a agenda não seria marcada por questões de interesse nacional”, advertiu o ministro dos Assuntos Parlamentares.
PEDIDO PARA ATRACAR NA FIGUEIRA
O barco holandês da associação ‘Women on Waves’ (WW), com chegada prevista a águas nacionais já amanhã, encontrava-se, no final do dia de ontem, a 200 milhas do porto da Corunha, em Espanha. O ‘Borndiep’, oficialmente registado como um barco comercial, tem como primeiro objectivo relançar o debate sobre o aborto, distribuindo informação e praticando a interrupção voluntária da gravidez até à sexta semana, na clínica ginecológica que dispõe a bordo.
Em comunicado, a ‘Women on Waves’ informa que foi feito um pedido de autorização para a embarcação atracar no porto da Figueira da Foz, mas o local certo onde o navio irá lançar âncora permanece, por enquanto, no segredo dos deuses. Certo é que, ainda de acordo com a WW, o barco terá sido “inspeccionado pelas autoridades holandesas” antes de se fazer ao mar, tendo obtido as devidas permissões para navegar rumo a Portugal. “Dentro da União Europeia, o pedido de autorização de entrada é apenas uma formalidade. Geralmente, o capitão do barco, quando chega a águas nacionais, entra em contacto com o porto para pedir autorização de entrada e a resposta é dada imediatamente”, referem.
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