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Correio da Manhã

Política
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Missão tem riscos

O ministro da Defesa admitiu ontem em Shama, no Líbano, que “o risco existe” para os militares portugueses ao serviço das Nações Unidas no Líbano, em face da situação política “particularmente mais aguda” vivida actualmente no país. Nuno Severiano Teixeira descreveu como “calma” a zona onde está aquartelado o contingente nacional.
13 de Dezembro de 2006 às 00:00
“Há momentos políticos difíceis, até particularmente mais agudos”, admitiu o governante, que ontem visitou os 146 militares portugueses no Líbano, aquartelados no alto de uma colina com vista sobre o Mediterrâneo, junto à localidade de Shama, a seis quilómetros da fronteira com Israel.
Para o ministro da Defesa, o agravamento da situação política no país, com muitos responsáveis políticos a falarem na possibilidade de um golpe de Estado, reflecte-se mais “em torno da cidade de Beirute” e não no sul do país, “onde a situação é calma”. “O risco existe, é uma missão que tem riscos, mas esta zona está calma e os riscos são os espectáveis e estão a ser acautelados”, defendeu.
Há quase três semanas no Líbano, o comandante do contingente português , tenente-coronel Firme Gaspar, caracterizou como de “calma aparente” a situação na região: “Dentro da área de operações existe uma calma aparente, nada do que se vive em Beirute. Estamos a trabalhar no nosso acampamento e tudo está a correr como planeado.” Para concluir que a relação com a população da região de Shama tem sido “muito amistosa”.
DETALHES
BASTIÃO XIITA
Shama, onde os militares portugueses estão aquartelados, é um sólido bastião de muçulmanos xiitas, que constituem o sustentáculo e base de recrutamento do Hezbollah. Com cerca de um milhar de homens armados em permanência e uma capacidade de mobilização até dez mil homens em alturas de crise, o Hezbollah dispõe de um arsenal que inclui lança-foguetes de vários tipos e armamento moderno originário da Síria, Irão, Rússia ou China.
ESTERNO BACALHAU
Para Licínia Casteleiro, 25 anos, a maior dificuldade ontem de manhã era acabar de preparar a canja e o bacalhau com natas que iria ser servido ao ministro da Defesa, ao Chefe de Estado--Maior General das Forças Armadas (CEMGFA), Valença Pinto, e ao comandante da FINUL, o general francês Alain Peleg rini. “Cozinhar aqui é complicado”, confessa Licínia, que é natural da Covilhã.
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