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Correio da Manhã

Política
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MNE À BEIRA DA FALÊNCIA

O ministro dos Negócios Estrangeiros, António Martins da Cruz, admitiu ontem que o ministério que tutela está à beira da falência, devido aos fortes cortes orçamentais de 2003, que podem pôr em causa importantes objectivos da diplomacia portuguesa.
3 de Junho de 2003 às 17:37
MNE À BEIRA DA FALÊNCIA
MNE À BEIRA DA FALÊNCIA
Segundo refere o “Diário Económico”, o responsável pela diplomacia portuguesa referiu, numa reunião à porta fechada no clube Via Norte, um fórum de reflexão ligado ao PSD, que se o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) fosse uma multinacional com sede em Lisboa e 145 delegações no estrangeiro estaria perto da falência.
A comparação feita por António Martins da Cruz deve-se à grave situação criada com o corte orçamental operado no MNE este ano, de 11 por cento, em relação ao ano passado. No total, o ministério dispõe de uma verba de 325 milhões de euros, considerada insuficiente.
De acordo com explicação avançada pelo ministro, grande parte destes 325 milhões de euros está condicionada à partida, sendo que 37 milhões vão para contribuições obrigatórias para organizações internacionais e 80 milhões para acções de cooperação com África. O dinheiro em sobra destina-se a pagar as despesas normais do ministério, com pessoal e instalações, visitas de Estado e equiparadas.
Sendo assim, alerta Martins da Cruz, Portugal está perante a ameaça de manter uma máquina diplomática que não pode fazer cooperação ou divulgação cultural, nem estar presente em cimeiras internacionais, ou ter de diminuir ao máximo a acção diplomática nos próximos tempos. Uma situação tanto mais grave quando uma das apostas da diplomacia portuguesa se destinava a estimular as exportações nacionais e a captação de investimento directo estrangeiro.
POLÉMICA
O deputado socialista Joel Hasse Ferreira reagiu às declarações de Martins da Cruz, afirmando não estar surpreendido por sempre ter acreditado que o ministro não tinha perfil para o cargo. As críticas surgem devido ao facto de as palavras do ministro poderem ter um impacto negativo na política externa portuguesa. José Lello, secretário de Estado das Comunidades no governo de Guterres, declarou mesmo que Martins da Cruz "não tem condições para continuar" ministro dos Negócios Estrangeiros.
Do campo socialista surgiu uma única voz solidária com o alerta orçamental lançado pelo MNE, a de Ana Gomes, ex-embaixadora na Indonésia e porta-voz socialista para a política externa. O sindicalista Jorge Veludo, do Sindicato dos Trabalhadores Consulares e Missões Diplomáticas, declarou que o Ministério "tem realmente vindo a mostrar uma situação de pré-falência".
O assunto foi também merecedor de um comentário por parte da ministra das Finanças, Manuela Ferreira Leite, lembrando que todas as tutelas tiveram cortes orçamentais na ordem dos 10% e que isso foi aceite por todos os ministros. Martinz da Cruz, que participou hoje numa conferência da NATO em Madrid, também comentou a notícia do "Diário Económico", explicando que a única novidade é o relevo hoje dado às suas declarações. "A citação está descontextualizada: nada é novo, tenho-o dito dezenas de vezes", declarou o ministro.
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