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Correio da Manhã

Política
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Modus operandi das secretas é "90% ilegal"

Declarações do superespião Jorge Silva Carvalho em tribunal.
19 de Novembro de 2015 às 16:59
Jorge Silva Carvalho é o principal arguido do caso das secretas
Jorge Silva Carvalho é o principal arguido do caso das secretas FOTO: Miguel A. Lopes/Lusa

O superespião Jorge Silva Carvalho, o principal arguido do caso das secretas, disse esta quinta-feira em tribunal que o segredo de Estado serve para proteger o modus operandi dos serviços de informação que é "90% ilegal".

O ex-diretor do SIED revelou que aqueles serviços realizaram uma operação para "apurar a totalidade das fontes" do jornalista Nuno Simas, que no verão de 2010 escreveu sobre as secretas.

Ouvido como arguido no julgamento do processo das secretas, relacionado com a interceção da facturação detalhada das comunicações de Nuno Simas, o ex-diretor do SIED assumiu que "tomou uma decisão" quanto ao caso e transmitiu a determinação aos seus subordinados, mas que o próprio secretário-geral do Sistema de Informações da República Portuguesa (SIRP), Júlio Pereira, tinha conhecimento do procedimento.

Antes da operação se iniciar, relatou, teve reuniões com diretores de vários departamentos e também com Júlio Pereira, que ter-se-á oposto a que fosse apresentada uma queixa à Polícia Judiciária, dizendo: "Quer meter a PJ nisto?".

Operação obedeceu aos procedimentos habituais
Sobre o caso que envolve Nuno Simas, o ex-diretor do SIED disse ter avançado com as "medidas necessárias", justificando que a operação para detetar as fontes do jornalista obedeceram a "procedimentos habituais" nos serviços de informações.

Salientou que os serviços de informações tinham uma "panóplia" de fontes junto das operadoras de telecomunicações. "Os serviços têm fontes em todas as [operadoras de] telecomunicações", frisou.

Silva Carvalho revelou ainda que foi o ministro Miguel Relvas que lhe forneceu o número de telefone de Nuno Simas, mas só depois do governante ter falado com o próprio jornalista.

"Já fui muito mais longe do que esperava", desabafou o ex-diretor do SIED, que inicialmente invocara o segredo de Estado para não aprofundar a questão relativa ao jornalista, mas que a juíza considerou não estar abrangido por essa restrição.

Silva Carvalho está acusado dia crimes de corrupção, violação do segredo de Estado e abuso de poder.
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