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Moedas promete apostar nas bicicletas após suspensão de trotinetes

Presidente da Câmara de Lisboa justificou a decisão com o número de acidentes e o abandono dos equipamentos.

16 de outubro de 2026 às 18:01

O presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas (PSD), justificou esta sexta-feira a decisão de suspender as trotinetes com o número de acidentes e o abandono dos equipamentos, prometendo investir nas bicicletas partilhas do sistema Gira.

"Neste momento, aquilo que vamos fazer é suspender o serviço das trotinetes partilhadas e foi isso que anunciámos a estas empresas", disse o autarca aos jornalistas à margem de uma Reunião Mundial de Juízes, que decorre em Lisboa.

"Vou levar, obviamente, [a proposta] a reunião de câmara, penso que o Partido Socialista vai acompanhar, uma vez que em Braga [numa proposta semelhante] o Partido Socialista também acompanhou", acrescentou.

O presidente da Câmara de Lisboa afirmou ainda que a suspensão das trotinetes partilhadas também está a acontecer em Paris, em Bruxelas e "em cidades como Nova Iorque".

"Estamos a ver exatamente essa tendência devido à falta de segurança que este meio de transporte tem hoje nas cidades" e "vamos apostar mais nas bicicletas, já temos duas mil bicicletas [do Gira], vamos continuar a apostar e isso é para nós o mais importante", acrescentou.

No seu primeiro mandato, foi dada "uma oportunidade às empresas, para que elas respeitassem", para que "as pessoas não andassem em contramão ou que as trotinetes não pudessem ficar abandonadas em todo o lado", mas "isso não aconteceu".

"Portanto, quem não cumpriu o acordo foram as empresas", pelo que "vamos resolver e vamos suspender" o serviço, vincou.

A proposta para suspender a circulação das trotinetes partilhadas em Lisboa deverá ser discutida em reunião de Câmara na próxima quarta-feira.

"Neste momento, e perante todos os dados de que dispomos, não nos resta outra opção senão a suspensão do serviço de trotinetes partilhadas em Lisboa", disse Carlos Moedas numa nota enviada à Lusa, depois de o gabinete avançar que a proposta será discutida na próxima reunião de câmara.

De acordo com o autarca, "a par de tudo isto, que já é bastante grave", a cidade de Lisboa continua a ter "um enorme problema de segurança" com pessoas a circular neste tipo de veículo "em contramão, nos passeios e, muitas vezes, duas pessoas na mesma trotinete e sem o mínimo de respeito por quem circula no espaço público".

Carlos Moedas lembra igualmente o "problema de estacionamento indevido" destes veículos no espaço público e a forma como condicionam a circulação de pessoas, "afetando particularmente os mais idosos, com mobilidade reduzida, cidadãos cegos, crianças e famílias com carrinhos de bebé por exemplo", disse.

"Nós recolhemos mais de 1.000 trotinetes por mês devido ao mau estacionamento. O acordo que temos com os operadores era suposto evitar que isto aconteça. Mas o que estamos a ver é que todos os anos registamos mais trotinetes indevidamente estacionadas, abandonadas nos mais diversos locais", precisou.

Num vídeo publicado na rede social X, na quinta-feira, Carlos Moedas anunciou que o sistema de trotinetes partilhadas ia ser suspenso na capital, referindo vários problemas com a circulação deste veículo.

O autarca diz que o sistema "não está a funcionar", sublinhando a necessidade de que "todos possam circular em segurança".

Carlos Moedas lembrou que quando assumiu a liderança da autarquia conseguiu reduzir para metade o número de trotinetes partilhadas na cidade, negociando com os operadores.

O Automóvel Clube de Portugal (ACP) anunciou que recolheu cerca de 20 mil assinaturas de cidadãos recenseados em Lisboa para a realização de um referendo municipal sobre a continuidade do sistema de trotinetes elétricas partilhadas na cidade.

O ACP vai entregar as assinaturas à Assembleia Municipal de Lisboa na segunda-feira, dando início ao processo previsto para a realização de um referendo municipal.

A recolha de assinaturas arrancou no início de agosto junto dos sócios do ACP e foi posteriormente alargada às ruas da cidade, com pontos de recolha em diferentes locais de Lisboa.

A iniciativa necessitava apenas de cinco mil assinaturas válidas para dar início ao processo.

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