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Correio da Manhã

Política
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MONTEIRISTAS ARRASAM MARCELO REBELO DE SOUSA

Os comentários de Marcelo Rebelo de Sousa sobre a saída de Manuel Monteiro do CDS e a criação de um novo partido não foram bem recebidos pelos apoiantes do ex-presidente centrista. Nuno Correia da Silva, antigo líder da Juventude Centrista e deputado, acusa o professor social-democrata de ter feito um “intervalo” na coerência ao criticar tão duramente o caminho escolhido por Monteiro.
25 de Fevereiro de 2003 às 00:00
Num documento a que o Correio da Manhã teve acesso, Nuno Correia da Silva desmonta, um por um, os argumentos evocados por Marcelo Rebelo de Sousa no seu habitual comentário de domingo na TVI. Em primeiro lugar, a ideia de que um novo partido vai dividir a direita. “Em democracia quem divide são os povos e quem vota são os portugueses, se os portugueses votarem, como se espera, no novo partido também vão ser condenados por divisionismo?”, pergunta.

Nuno Correia da Silva, que recentemente abandonou o CDS juntamente com outros apoiantes de Monteiro, considera mesmo “estranho” o conceito de democracia de Marcelo Rebelo de Sousa, pois “a possibilidade de os portugueses terem mais uma opção é olhada com desconfiança ao invés de ser interpretada como um sinal inequívoco da maturidade política da nossa democracia”.

O segundo argumento utilizado pelo comentador social-democrata é o de que não há espaço político em Portugal para um novo partido. Mais uma vez, Nuno Correia da Silva deixa uma pergunta: “Quem decide isso? Estamos no século XXI, em 1974 foi o Conselho da Revolução, hoje pretende ser o conselho de opinião?”.
Finalmente, Marcelo Rebelo de Sousa considerou que Manuel Monteiro deveria saber esperar. Talvez dois, quatro ou seis anos, pois, mais tarde ou mais cedo, Paulo Portas acabaria por abdicar da liderança do CDS.

Ora, Nuno Correia da Silva lembra que foi o próprio
comentador que, há algumas semanas atrás, fez um retrato da situação política do País, falou do cinzentismo dos protagonistas e da falta de militantes de causas. Disse nomeadamente que “em Portugal, as pessoas não vencem por mérito, vencem por resistência, mesmo que para isso sacrifiquem a coerência”.

Nuno Correia da Silva acusa-o então de estar a fazer um intervalo na coerência, ao considerar que Monteiro deveria resistir e esperar pela desistência de Portas. “Pois é precisamente porque há quem acredite no mérito e nas causas que opta pelo caminho mais difícil e decide avançar ao invés de se colocar na posição fácil do saber esperar”, acrescenta.

Com a sua última intervenção, finaliza Nuno Correia da Silva, Marcelo Rebelo de Sousa utilizou argumentos “que não lhe ficam bem” e mostrou que “as verdades de ontem já não são verdade de hoje”.
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