Chefe do Executivo considera que ministro da Administração Interna "tem sido um dos membros do Governo que tem mostrado aptidão para resolver problemas".
O primeiro-ministro afirmou esta quinta-feira que o ministro da Administração Interna tem mostrado aptidão para resolver os problemas nos seus setores de responsabilidade e adiantou que está tranquilo em relação a todos os membros da sua equipa governativa.
Interrogado pelos jornalistas se a presença de Luís Neves no Governo está a desgastar o Governo do ponto de vista político, devido à sua anterior ação enquanto diretor nacional da PJ, Luís Montenegro respondeu:
"O ministro da Administração Interna tem sido um dos membros do governo que tem mostrado - como, aliás, os demais - aptidão para resolver problemas. Foi o que aconteceu, por exemplo, com o impulso extraordinariamente positivo que houve no funcionamento do controlo das fronteiras", apontou.
Falando aos jornalistas antes de assistir à cerimónia de posse do reeleito Presidente de São Tomé e Príncipe, o líder do executivo foi questionado sobre se mantém a confiança política no ministro Luís Neves.
"Os membros do Governo têm de responder quando são alvo de pedidos de esclarecimento e de escrutínio. Infelizmente, a vida democrática ensina-nos que as oposições nunca ficaram satisfeitas com as explicações dos membros do governo. Portanto, cabe ao primeiro-ministro depois fazer a avaliação. Eu faço a minha e estou muito tranquilo com todos os membros do governo", declarou Luís Montenegro.
Além da questão da redução dos tempos de espera nos aeroportos, Luís Montenegro referiu-se também à ação de Luís Neves em matéria de combate aos incêndios florestais.
"O dispositivo que foi montado está a responder ao desafio de diminuir o impacto dos incêndios florestais, evitando que muitos se propaguem. Portanto, com uma taxa de sucesso na primeira intervenção, nos primeiros 90 minutos, que é superior a 95%. Mas nesta matéria nunca estamos seguros, porque uma tragédia pode acontecer a qualquer momento", acrescentou.
Perante a insistência dos jornalistas na questão da presença no executivo ministro da Administração Interna, que está na base da moção de censura apresentada pelo Chega, o primeiro-ministro frisou que "o Governo governa porque foi escolhido pelo povo".
"O quadro desta legislatura é um trabalho de quatro anos e meio, que termina no final do verão de 2029. Estamos a cumprir o programa do Governo que a própria Assembleia da República viabilizou. Portanto, não há nenhuma razão para interromper este caminho que é um caminho de respeito pela vontade popular", defendeu.
Segundo o líder do executivo, cabe à Assembleia da República dar condições ao Governo para continuar a executar o seu programa.
"Se assim não fosse, isso significaria que, por parte de um dos órgãos de soberania, no caso da Assembleia da República, existiria um contexto de divergência com o sentido das pessoas", advogou.
Luís Montenegro até admitiu que "as pessoas podem não gostar de tudo aquilo que o Governo faz e podem não concordar com tudo aquilo que o Governo faz".
"Mas querem que o Governo governe, que resolva problemas. Foi por isso que fui escolhido, a democracia é isso. E não aconteceu nada de extraordinário que justifique a interrupção do trabalho do Governo. Essa é que é a grande verdade", acrescentou.
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