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Correio da Manhã

Política
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Montenegro desafia adversários de Passos

Luís Montenegro desafia adversários de Passos Coelhoa assumirem-se, critica jogos de bastidores e especulações e avisa que a liderança do partido não está em causa
2 de Outubro de 2013 às 01:00
Luís Montenegro
Luís Montenegro FOTO: Vítor Mota

Correio da Manhã – O PSD saiu derrotado das autárquicas. Que consequências para o partido?

Luís Montenegro – Houve uma vitória do PS em número de câmaras e desse ponto de vista há  que assumir a derrota. Em todo o caso, estamos na presença de um processo eleitoral muito localizado e os resultados não tiveram as mesmas explicações em todo o lado…

– Mas abre brechas no partido?

– Creio que não se pode tirar essa conclusão. O partido deve fazer uma reflexão profunda sobre esse processo sem nenhuma tentativa de estar a responsabilizar ninguém em particular, mas uma reflexão para garantir mais coesão nos processos locais.

– Vai haver expulsões do PSD?

– A questão fundamental não é essa. O PSD deve ter a capacidade de, no futuro, evitar que haja essa divisão, mais do que estar agora numa caça às bruxas. Aquilo que é importante é evitar que esses fenómenos se repitam.

– Santana Lopes disse que o trabalho da conquista de câmaras está a ser deitado fora...

– Não nos podemos esquecer de que, em virtude da entrada em vigor da lei de limitação de mandatos, tivemos necessidade de modificar cerca de 80 candidatos autárquicos que eram os candidatos naturais. E isso afetou o PSD.

– Como comenta a vitória de Rui Moreira, apoiado por Rui Rio?

– É desvalorizar o mérito de Rui Moreira enquanto vencedor das eleições querer imputar a uma terceira pessoa a responsabilidade da vitória.

– Acha que Rui Rio está a posicionar-se para primeiro-ministro?

– Não vou especular sobre isso. Aquilo que posso dizer é muito simples: o PSD tem um líder, que manifestamente tem o apoio maioritário do partido e que, como primeiro-ministro tem uma missão que está a cumprir com grande tenacidade e perseverança e creio que há condições para renovar o mandato para uma segunda legislatura. Não há, por isso, qualquer  problema interno nem externo.

– Não está então em causa a liderança de Passos Coelho?

– Nem pensar! Isso seria um absurdo. Falar de questões de liderança é despropositado… É certo que se houver algum militante que entenda que o caminho é completamente errado e se disponibilize para se apresentar, faça favor de se apresentar. Se houver algum militante que entenda que o Governo está a governar mal e que tenha disponibilidade, a democracia não deve amedrontar ninguém. Mas estou em querer que essa questão não se levanta. O partido tem um líder forte e competente e um primeiro-ministro com forte capacidade de recuperação do País, com persistência e tenacidade. Há uma coisa que não se deve  perdoar, é que se ande aqui com jogos de bastidores, com especulações com nuvens de fumo. A democracia é a arte da clareza. Quem tem ideias e convicções deve assumi-las com toda a frontalidade e é isso que desejo.

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