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Correio da Manhã

Política
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MOSTRAMOS QUE O PARTIDO ESTÁ VIVO

Tem 75 anos e ajuda a erguer a ‘Festa do Avante!’ desde o primeiro ano em que se realizou, em 1976. Francisco Gregório, conhecido por ‘Carapeto’ vem de Lagoa, no Algarve. Ontem, antes das portas da Quinta da Atalaia, no Seixal, se abrirem aos visitantes, o ‘velho’ militante do PCP lá estava, com a vassoura na mão, aplicado nos últimos retoques.
4 de Setembro de 2004 às 00:00
De tronco nu e boné vermelho com o logótipo do ‘Avante!’, Francisco Gregório explicou, sem abandonar a vassoura, o que o traz à festa: “O convívio com os camaradas e acreditar que podemos viver numa sociedade sem classes.” Militante do ‘partido’ desde os 17 anos, assim traduziu “a revolta” que desde sempre sentiu, “talvez por ter sido obrigado a cavar a terra aos seis anos, quando devia estar na escola.”
Um problema na coluna afastou José Martins, de 63 anos, reformado, dos trabalhos mais pesados. Mas foi ajudando no que pôde. “É uma questão de militância. O comunista tem de trabalhar com o seu partido”, tornou claro José Martins, para quem o PCP “está bem e recomenda-se”. Ainda assim, lamentou: “Há muito veneno contra ele”.
A ‘Festa do Avante!’ constitui, no entender de Patrícia Guimarães, de 18 anos, militante da Juventude Comunista Portuguesa, a demonstração de que “o PCP continua vivo e com garra”. “Não é fácil montar uma festa como esta. Fazê-lo é uma estalada na cara de muita gente”, disse a jovem, que se dedicava a pintar um mural comemorativo do trigésimo aniversário do 25 de Abril.
Margarida Oliveira, de 53 anos, reformada, e Maria da Conceição, de 48, desempregada, descansavam por momentos, sentadas na relva. Vieram de Valongo e são as cozinheiras de um dos muitos restaurantes instalados na Quinta da Atalaia. “Já temos tudo ‘adiantadinho”, disseram, referindo-se às refeições. Para estas mulheres, a festa é principalmente trabalho.
CARLOS CARVALHAS DESAFIA SANTANA LOPES
O secretário-geral do PCP, Carlos Carvalhas, desafiou ontem o primeiro--ministro, Pedro Santana Lopes, a assumir a “resolução do drama do aborto clandestino” e a evitar “malabarismos” e “habilidades”.
“Sr. primeiro-ministro, deixe-se de habilidades, de aberturas para debates sem consequências, olhe por exemplo para o que se passa nesta matéria na vizinha Espanha e assuma seriamente e não com malabarismos a resolução do drama do aborto clandestino”, afirmou Carlos Carvalhas.
O secretário-geral comunista, falava na abertura da 28.ª edição da ‘Festa do Avante!’, que decorre até domingo na quinta da Atalaia, Seixal. Perante centenas de militantes, que empunhavam as bandeiras vermelhas do PCP, Carvalhas criticou a “hipocrisia e o reaccionarismo” do Governo PSD/CDS-PP, numa referência à proibição de entrada do chamado ‘barco do aborto’, da organização holandesa Women on Waves, em águas nacionais. “Temos o ridículo de, perante tão grave ‘ameaça’ se colocar, na prática, a Marinha de Guerra a velar pelo aborto clandestino e pelas concepções ultramontanas que vigoram no CDS e no PSD!”, ironizou.
DIVERSIDADE E QUALIDADE PORTUGUESA
Uma presença portuguesa de qualidade e uma não menos importante diversidade de propostas para todas as sensibilidades constituem as notas mais salientes da programação musical da Festa do Avante, que amanhã encerra, na Quinta da Atalaia, Seixal.
Dos três principais espaços consagrados aos espectáculos, o mais importante é o Palco 25 de Abril (a maior estrutura cénica ao ar livre em Portugal), por onde vão passar artistas com propostas que vão da pop ao hard rock, passando pela música popular portuguesa. Do cartaz de hoje, destacam-se a Quadrilha, Faithfull (hard rock), Gaiteiros de Lisboa, Sérgio Godinho e Pedro Abrunhosa. Amanhã, realce para Otis Grand Blues Band, Rui Veloso e Clã. No palco do Auditório 1.º de Maio, o destaque de hoje vai para os Telectu, Rão Kyao, Mário Laginha e Bernardo Sassetti, e a dupla Vitorino-Janita Salomé, que apresentarão ‘Utopia’, um espectáculo centrado nas canções de José Afonso.
O fado domina a programação de amanhã, com as presenças de A Naifa, Aldina Duarte e Mísia. A estes dois palcos soma-se ainda o Palco Arraial, um espaço consagrado por inteiro a ranchos e grupos folclóricos, grupos corais e filarmónicos. Teatro, dança e outras músicas compõem ainda a programação do espaço Avanteatro.
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