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Correio da Manhã

Política

Mudar Governo sem dissolver Assembleia

Manuel Alegre considerou ontem que um Presidente da República, em situação de crise, deve demitir o primeiro-ministro sem dissolver a Assembleia da República. Apesar desta posição, o candidato presidencial não deixou de elogiar Jorge Sampaio por ter tomado “as decisões mais corajosas” da sua vida ao nomear Santana Lopes chefe de Governo e mais tarde, na sequência da crise do Executivo do PSD/CDS-PP, dissolver o Parlamento.
19 de Novembro de 2005 às 00:00
Manuel Alegre visitou ontem o Hospital dos Capuchos, onde já foi submetido a duas operações cirúrgicas
Manuel Alegre visitou ontem o Hospital dos Capuchos, onde já foi submetido a duas operações cirúrgicas FOTO: António Cotrim, Lusa
“O Presidente da República pode demitir o primeiro-ministro sem dissolver a Assembleia da República e penso que é o desejável. Nenhum até agora o fez, mas pode. Isso depende também da sua capacidade para realizar consensos e maiorias”, defendeu Alegre durante um debate com médicos no Hospital dos Capuchos. Mesmo assim, reconheceu o mérito das decisões do actual Presidente da República, frisando que a nomeação de Santana Lopes e a demissão do Parlamento reforçaram a “vertente semipresidencial do regime”.
Confrontado por um médico sobre como irá interagir, se for eleito, com um Governo que escolheu outro candidato, Alegre foi directo: “Vou garantir a estabilidade e a governabilidade. Não penso ser um desestabilizador nem um agitador, nem governar sobre o Governo, nem ser um chefe da oposição”.
Defensor dos poderes presidenciais que a Constituição consagra, o candidato sublinhou que um Presidente da República pode ser “estimulador” e “impulsionador” da funcionalidade do Estado. E, segundo adiantou, poderá fazê-lo dirigindo “mensagens à Assembleia da República e ao povo”, através de visitas e de “chamar a atenção” para determinadas questões.
Por isso, como candidato presidencial, visitou ontem o Hospital dos Capuchos, a fim de alertar para a “importância do papel dos hospitais públicos na garantia do direito constitucional à saúde”. Num dia dedicado à saúde, Alegre revelou um especial afecto pela unidade hospitalar que o acolheu em duas intervenções cirúrgicas. E recordou que Portugal é o país que menos gasta com a saúde e que o Serviço Nacional de Saúde “tem de ser profundamente modernizado e reconstruído”.
O candidato aproveitou ainda para lançar uma farpa aos seus adversários Cavaco Silva e Mário Soares na corrida a Belém: “Não estou a fazer esta campanha a dizer se um é retórico e se o outro é hirto. Isso não me interessa. Os portugueses querem que se fale dos seus problemas e que cada candidato fale sobre o que o Presidente da República pode fazer para ajudar”.
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