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Correio da Manhã

Política
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Mulheres ganham menos 278 euros

Diferenças salariais entre sexos agravaram-se 22,6 euros num ano em Portugal.
Beatriz Ferreira 20 de Novembro de 2017 às 01:30
Igualdade de género no trabalho
Igualdade de género no trabalho
Igualdade de género
Igualdade de género no trabalho
Igualdade de género no trabalho
Igualdade de género
Igualdade de género no trabalho
Igualdade de género no trabalho
Igualdade de género
Não só as mulheres ganham menos 21,9% que os homens como a diferença salarial está a aumentar em Portugal. Em outubro de 2016, as mulheres auferiam menos 277,94 euros mensais, o equivalente a 79 dias de trabalho por ano sem remuneração.

No mesmo período, os homens ganhavam, em média, 1271,24 euros mensais, contra 993,30 verificados nas mulheres, de acordo com o Inquérito aos Ganhos e à Duração do Trabalho, divulgado na última sexta-feira pelo Ministério do Trabalho. Por hora, em média, as mulheres recebiam menos 1,5 euros, com a diferença mais significativa a verificar-se em ‘Atividades Artísticas, de Espetáculos, Desportivas e Recreativas’ (menos 5,62 euros).
Ao mesmo tempo, a lacuna de salários está a agravar-se. Segundo o Boletim Estatístico do Ministério do Trabalho de setembro, em apenas um ano as diferenças salariais agravaram-se em 22,6 euros por mês.

"Não tem havido melhorias significativas", reconhece ao CM o gabinete da Secretária de Estado para a Igualdade. A discrepância salarial persiste, "expressão da desvantagem estrutural de que as mulheres continuam a ser alvo no mercado de trabalho". Para a combater, o Governo está a implementar a Agenda para a Igualdade no Mercado de Trabalho e nas Empresas.

"Sabemos que existem muitas funções de igual valor que são remuneradas de forma diferente. A implementação de formas eficazes de avaliação dos postos de trabalho permitirá detetar casos de discriminação, como sucedeu recentemente no setor do calçado". A proposta de lei aprovada em Conselho de Ministros no dia 2 prevê que as empresas com mais de 100 trabalhadores sejam notificadas pela Autoridade para as Condições do Trabalho quando se verifique disparidade salarial entre sexos, devendo "justificar diferenças e corrigir discriminações".

Mulheres ocupam  um terço dos cargos de gestão
A maior diferença entre remunerações por hora está nos cargos de gestão. Os números mais recentes do Eurostat em colaboração com o INE mostram que, em 2014, apenas um terço dos cargos de gestão em Portugal pertencia a mulheres e as que os exerciam ganhavam menos 5,61 euros por hora que os homens. Basta olhar para as empresas cotadas no PSI 20: apenas uma é liderada no feminino.

INSTÂNCIAS
A participação feminina nas principais instâncias portuguesas permanece baixa: varia entre um mínimo de 5,3% no Conselho de Estado (apenas uma mulher o compõe), e um máximo de 38,5% no Tribunal Constitucional, de acordo com dados da Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego (CITE).

EDUCAÇÃO
A Estratégia Nacional da Educação para a Cidadania está a ser desenvolvida como projeto-piloto em 235 escolas do País e tem como eixo estruturante a igualdade entre mulheres e homens.

ADMINISTRAÇÃO
As mulheres representavam 14,3% dos membros dos Conselhos de Administração das empresas portuguesas em 2015, um número acima dos 4% registados em 2003 mas abaixo da média europeia, 23,9%.
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