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Correio da Manhã

Política
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NÃO AO EURO FAZ SUÉCIA PERDER INFLUÊNCIA

Um dia depois de terem rejeitado o euro por uma maioria de 56,1%, os suecos receberam ontem uma mensagem clara no sentido de se prepararem para perder influência política e económica na União Europeia. Uma mensagem que foi repetida pelos restantes Estados-membros da UE, pela Comissão Europeia e pelo próprio Governo sueco que acabou por ser o grande derrotado do plebiscito de domingo.
16 de Setembro de 2003 às 00:00
Os suecos disseram não ao euro e podem perder protagonismo europeu
Os suecos disseram não ao euro e podem perder protagonismo europeu FOTO: Maja Suslin (Reuters)
Desde o início da campanha que o primeiro-ministro Göran Persson – um feroz defensor do euro – repetiu que não se demitiria no caso de o “não” vencer, mas ontem não escondeu que estava “deprimido”. À sua frente, Persson tem duas árduas tarefas – reunificar um país dividido pela questão da moeda única europeia e evitar perder o mínimo de influência na UE.
A Comissão Europeia tentou minimizar a vitória do “não”afirmando que Estocolmo saberia “manter vivo o espírito do euro”, mas interrogado sobre se a Suécia perderia influência por ficar fora do euro, o seu presidente, Romano Prodi respondeu “claramente que sim”. Opinião que foi repetida pela comissária sueca, Margot Wallstrom, para quem os seus compatriotas vão ter de se preparar “para pagar um preço económico e político para permanecerem fora da zona euro”.
Esta perda de influência não poderia surgir em pior altura para os suecos, uma vez que surge em vésperas da Conferência Intergovernamental (CIG), na qual a UE se deverá redesenhar.
A Suécia é o único dos quinze Estados-membros da UE a não pertencer nem à zona euro nem à NATO e o resultado deste referendo acabará por influenciar os outros dois Estados-membros que ainda não adoptaram a moeda única europeia. No Reino Unido é unânime a opinião de que o resultado sueco põe de lado a hipótese de realização de um referendo sobre o euro até às próximas eleições legislativas, em 2006. Na Dinamarca, as autoridades mostram-se convencidas que “quando chegar a altura os dinamarqueses saberão pensar por si”.
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