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Correio da Manhã

Política
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Não cumprimenta? Grande ordinário!

Os dois candidatos à presidência da Câmara de Lisboa, Manuel Maria Carrilho e Carmona Rodrigues, entraram em ruptura depois de uma violenta troca de acusações. À saída de um debate crispado entre os dois anteontem à noite na SIC Notícias, Carmona estendeu a mão a Carrilho, mas este virou-lhe as costas e recusou cumprimentá-lo. O candidato apoiado pelo PSD indignado desabafou: “Então não cumprimenta? Extraordinário. Grande ordinário!”
17 de Setembro de 2005 às 00:00
'Exijo no mínimo do eng. Carmona Rodrigues um pedido de desculpa'
'Exijo no mínimo do eng. Carmona Rodrigues um pedido de desculpa' FOTO: Pedro Catarino
O candidato socialista justificou o seu comportamento com as “calúnias” que Carmona Rodrigues lhe dirigiu durante o debate. Isto apesar de no início do programa também não ter cumprimentado Carmona Rodrigues, alegando que não o tinha visto. Carrilho considerou a situação “irrelevante”, já Carmona achou que foi “uma falta de respeito”.
Em reposta às alegadas “calúnias”, Carrilho apresentou ontem um conjunto de documentos e exigiu um pedido de desculpa: “Exijo no mínimo do eng. Carmona Rodrigues um pedido de desculpa”. Carrilho mostrou-se ofendido com o facto de Carmona ter repescado, durante o debate, uma história polémica publicada em 1999 na Imprensa sobre a alegada construção de uma casa de banho de luxo no Ministério da Cultura, quando tutelava a Pasta. “Fui caluniado com conhecimento de causa”, acusou ontem o candidato do PS, apresentando aos jornalistas um documento do tribunal, onde a informação sobre as obras é desmentida. Apesar da exigência de um pedido de desculpa por parte de Carrilho, a candidatura de Carmona afirmou ao CM: “Não há nada a acrescentar ao que o professor disse no debate”.
Durante o debate Carrilho fez algumas acusações a Carmona, tendo este desmentido cada uma. Inconformado, o socialista fez questão de apresentar as ‘provas’ aos jornalistas, entre as quais os contratos de avença que alegadamente comprovam a duplicação de salários de funcionários na autarquia. Gabriela Seara, directora de campanha de Carmona Rodrigues, e ex-chefe de Gabinete, foi um dos nomes citados pela candidatura socialista. Mas como exemplo, o número dois de Carrilho, Nuno Barroso referiu o caso do assessor José Lemos, que no primeiro contrato, assinado por Santana Lopes, iria receber um salário de 2600 euros, e no segundo, já assinado por Carmona Rodrigues, passaria a receber 4088 euros.
Na EPUL, foi ainda denunciado o facto do consultor Madeira Henriques ter rescindido o contrato em Abril, com uma indemnização de mais de 90 mil euros, mas ter continuado a receber o seu salário.
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