O ex-presidente da Câmara de Lisboa João Soares é apontado, dentro do PS, como um potencial candidato à maior autarquia do País, caso a capital tenha eleições intercalares. Ao CM o também deputado socialista e actual vereador em Sintra regista, apenas, “o desnorte” daquela autarquia “nos últimos cinco anos”. Questionado pelo CM sobre se estaria disponível a avançar caso o secretário-geral do seu partido, José Sócrates, lhe fizesse um convite, Soares responde: “Não me vou pôr em bicos de pés. Não me faça essa pergunta.”
O cenário de eleições intercalares tem ganho peso na última semana, apesar de o edil, Carmona Rodrigues, ter reiterado ontem que tinha condições para governar a autarquia, depois das buscas da PJ e da constituição como arguida da vereadora do urbanismo, Gabriela Seara.
“Nós sentimos que temos condições para governar, temos um sentido de responsabilidade perante os eleitores e a cidade de Lisboa”, disse Carmona Rodrigues aos jornalistas à saída de um encontro com empresários, na capital. “Não se afigura nenhum desses cenários e não trabalhamos com base em cenários”, disse quando questionado sobre a possibilidade de se demitir.
O autarca, na última reunião com os líderes da oposição na Câmara, admitiu a possibilidade de se demitir se Fontão Carvalho, seu vice-presidente das Finanças, fosse constituído arguido. A afirmação foi feita com base numa hipótese remota, segundo o próprio edil, no referido encontro e quando confrontado sobre o assunto. Ontem aos jornalistas Carmona adiantou apenas: “Se acontecer, logo se verá.”
O autarca, recorde-se, já enviou uma carta ao procurador-geral da República para “solicitar celeridade” na conclusão das investigações de que a autarquia é alvo.
Entre os socialistas, a voz corrente é a de que João Soares é um nome consensual para a autarquia numa situação limite de eleições. A concelhia é um problema para o ex-autarca, mas José Lello, membro do secretariado nacional e apontado como um dos elementos da direcção mais próximos de Sócrates, afirmou ontem ao CM: “Se se disponibilizar [Soares] será encarado como uma alternativa válida.” O dirigente frisou ainda várias vezes que Soares “foi um excelente presidente [da Câmara de Lisboa]”. Quanto a eleições intercalares, Lello foi curto e directo: “Com o caminho que as coisas tomam, vão ser inevitáveis [...] O executivo de Carmona não tem condições políticas para se manter.”
Dentro do PSD, o cenário de eleições já merece teses rebuscadas: no caso da demissão de Carmona, ser Marina Ferreira a substituí-lo.
CARRILHO ATACA CÂMARA
O ex-vereador do PS na Câmara de Lisboa Manuel Maria Carrilho disse ontem ver “com imensa tristeza, mas sem qualquer surpresa” o “colapso” da autarquia, após a suspensão do mandato da vereadora do Urbanismo no âmbito do caso Bragaparques. “É com imensa tristeza, mas sem qualquer surpresa, que assisto ao colapso da Câmara de Lisboa”, escreve o deputado do PS no seu blogue pessoal (Bloco de Notas). “Eu sei bem que em política não adianta ter razão antes de tempo – antes pelo contrário. Mas na vida isso conta e, no que me diz respeito, tudo foi dito e tudo foi escrito, nos momentos em que tal devia ser feito”, refere Carrilho. Para o ex-vereador, o executivo presidido por Carmona Rodrigues é o “pior” executivo de Lisboa desde o 25 de Abril de 1974 e acusa a liderança social-democrata de “falta de visão, funda incompetência e indisfarçável inacção”.
PSD RESPONDE A EX-VEREADOR
O vereador da Cultura na Câmara de Lisboa, José Amaral Lopes, acusou ontem o socialista Manuel Maria Carrilho de falta de legitimidade para criticar o executivo municipal, qualificando-o como “o pior vereador” desde o 25 de Abril. “Não esteve presente na maioria das reuniões, não participou, assumiu que não tinha tempo e uma pessoa que não tem tempo não tem legitimidade para criticar”, disse o responsável pela Cultura na autarquia.
- Jul./05
Lavrada a escritura de permuta dos terrenos do Parque Mayer com um dos lotes da Feira Popular e realizada a hasta pública do lote de terreno de Entrecampos.
- Dez./05
As buscas da PJ à Câmara de Lisboa e à Bragaparques visavam a permuta dos terrenos do Parque Mayer e os terrenos municipais da Feira Popular, em Entrecampos.
- Jan./06
O sócio-gerente da Bragaparques, Domingos Névoa, é acusado de tentativa de corrupção do vereador do BE Sá Fernandes.
- Jan./06
A Câmara de Lisboa é alvo de novas buscas e a vereadora do Urbanismo, Gabriela Seara, é constituída arguida.
BRAGAPARQUES
A empresa Bragaparques quer “repor a verdade” sobre a permuta de terrenos com a Câmara de Lisboa investigada pela PJ e dará amanhã uma conferência de imprensa para defender que a informação veiculada tem sido “deformada e tendenciosa”. No encontro será apenas abordado o negócio de permuta de terrenos.
REUNIÃO CAMARÁRIA
O executivo da Câmara de Lisboa discute hoje a proposta do plano de pormenor dos bairros da Serafina e da Liberdade, em Campolide, que prevê a criação de zonas verdes, percursos pedonais, equipamentos colectivos e comércio. A proposta prevê ainda o realojamento dos residentes no bairro da Liberdade.
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