Barra Cofina

Correio da Manhã

Política
6

Não quero pântanos no meu partido

O braço-de-ferro entre a direcção e o grupo parlamentar do CDS-PP vai ser decidido num congresso electivo extraordinário, a decorrer em finais de Abril, princípios de Maio. Ribeiro e Castro fartou-se das divisões internas e ontem, em Leiria, deixou um aviso claro aos críticos: “Não quero pântanos no meu partido. Se há projectos alternativos, apresentem-nos.”
20 de Março de 2006 às 00:00
Ribeiro e Castro viu aprovado o congresso, pelo método de braço no ar, por uma margem  de 17 votos
Ribeiro e Castro viu aprovado o congresso, pelo método de braço no ar, por uma margem de 17 votos FOTO: Cláudio Garcia
O ‘murro’ na mesa do líder do CDS foi dado na abertura da reunião do Conselho Nacional. Quando se esperava uma discussão em torno de questões levantadas por dois militantes, Ribeiro e Castro apresentou uma moção, pedindo a convocação do congresso extraordinário. No documento, o dirigente justificou a sua posição com o “clima de antagonismo militante e de instabilidade” que tem “prejudicado a imagem do partido”.
A proposta foi aprovada pelo método de braço no ar (prática pouco usual no CDS), com 83 votos a favor, 54 contra e 12 abstenções. Ou seja, juntando-se os votos contra às abstenções, a proposta passou com uma diferença de 17 votos. A solução desagradou a alguns dos mais destacados conselheiros. “A convocação do Congresso é um verdadeiro disparate. Enquanto o CDS concentrar as suas energias em questões de paróquia, está a enveredar por mau caminho”, afirmou Nuno Melo, líder do grupo parlamentar. Pires de Lima, ex-vice-presidente do partido, manifestou-se no mesmo sentido. “Não faço tenções de valorizar este congresso, porque entendo que é inútil e desnecessário”. Telmo Correia foi mais longe e sugeriu que Ribeiro e Castro se demitisse, para abrir caminho a uma solução transitória até à realização da reunião magna. Em resposta, o líder do partido disse que não se demite e que vai recandidatar-se para dar continuidade ao seu projecto. Quem o quiser destituir terá de apresentar-se também como candidato, pois só serão aceites moções ao Congresso vinculadas a uma candidatura. A data e os regulamentos do conclave serão decididos no sábado. Segundo apurou o CM, o líder está confiante num apoio forte à sua recandidatura. Se tal não acontecer, pode abandonar a liderança e deixar a “resolução do problema para quem o criou”.
DIOGO FEIO JÁ TRAÇOU PERFIL DO NOVO LÍDER
Diogo Feio, membro da Comissão Política Nacional, não concorda com a decisão do líder do partido, José Ribeiro e Castro, de convocar um congresso extraordinário electivo, para resolver os problemas do partido. “ Eu pensei que o partido já tinha decidido deixar de fazer congressos todos os anos”, afirmou ao CM..
O dirigente democrata-cristão, que apoiou Telmo Correia no último congresso, mas acabou por ser convidado para a Comissão Política Nacional por José Ribeiro e Castro, entende que os mandatos “devem ser cumpridos até ao fim” e não lhe parece que seja o congresso que vai resolver os actuais problemas do partido”. Diogo Feio, segundo revelou, já fez o perfil do novo presidente do CDS-PP: “Deve ser alguém que una o partido; que consiga manter uma boa relação e dê importância ao braço parlamentar do partido [os deputados do CDS-PP], porque é onde se confronta o engenheiro José Sócrates; e ainda que goste das bases e consiga conviver com as várias sensibilidade que o partido tem.” Os dois militantes que tinham pedido a demissão de Ribeiro e Castro nos últimos dias manifestaram-se ontem satisfeitos com a convocação do congresso. E revelaram a convicção que a liderança do partido vai mudar de mãos. O presidente “é um líder que trabalha e que se esforça, mas não chega lá”, disse Sampaio Pimentel, do CDS/Porto, ressalvando que Ribeiro e Castro “demonstrou grande humildade e dignidade, ao aderir ao que muitos militantes pensam sobre a crise de liderança no partido”. Já Herculano Gonçalves, presidente da distrital do CDS de Santarém, mostrou-se desiludido com as “atitudes antidemocráticas no partido” que o impediram de intervir no Conselho Nacional mais de três minutos. O dirigente disse não ter ficado surpreendido com a decisão do líder.
OS RIVAIS DO LÍDER
PAULO PORTAS
Saiu da liderança do partido depois do PS ganhar as legislativas e, até hoje, mantém-se em silêncio. Paulo Portas tem sido apontado como potencial candidato à presidência do CDS-PP, pois conseguiu levar o partido ao Governo, aliando-se ao PSD, nos governos de Durão Barroso e Santana Lopes.
PIRES DE LIMA
O ex-vice-presidente do CDS, Pires de Lima, é um dos nomes apontados como possível candidato à liderança do partido. Ontem, afastou essa possibilidade, mas admitiu candidatar-se caso ocorresse “algum acontecimento extraordinário” que não especificou. O dirigente defende que o CDS devia ser mais “sexy e sedutor”.
TELMO CORREIA
Telmo Correia, o candidato que perdeu a corrida à liderança do CDS para Ribeiro e Castro, não afasta a possibilidade de voltar à luta pela presidência. “À partida, não seria lógico, porque discordo do congresso, mas não nos vamos precipitar”, afirmou o ex-líder parlamentar, deixando em aberto uma eventual candidatura.
NUNO MELO
O actual líder do grupo parlamentar o CDS-PP, Nuno Melo, reservou para o “momento próprio e no tempo próprio” uma tomada de posição sobre candidatos alternativos a Ribeiro e Castro. Para o dirigente, o congresso extraordinário é “um disparate que o partido não precisa e que o desvia das questões essenciais”.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)