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Correio da Manhã

Política
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“Nem Paulo Portas acredita no Orçamento”

O secretário-geral do PS, António José Seguro, defendeu esta terça-feira que a proposta de Orçamento para 2013 está condenada ao fracasso e que ninguém acredita nela, a começar pelo ministro de Estado e presidente do CDS-PP, Paulo Portas.
30 de Outubro de 2012 às 16:49
Seguro afirmou que este Orçamento "está condenado ao fracasso"
Seguro afirmou que este Orçamento 'está condenado ao fracasso' FOTO: Tiago Petinga/Lusa

"É um Orçamento do Estado condenado ao insucesso. Ninguém acredita nele, a começar pelo próprio líder do CDS e ministro dos Negócios Estrangeiros", afirmou o secretário-geral do PS, durante o debate na generalidade da proposta de Orçamento do Estado para 2013, na Assembleia da República.

Segundo António José Seguro, o cenário macroeconómico inscrito na proposta do Governo não é credível, nenhum economista da bancada do PSD dá validade à previsão de uma recessão de apenas um por cento no próximo ano e, por isso, o primeiro-ministro está a tentar "fugir como o diabo da cruz" da discussão do Orçamento.

O secretário-geral do PS, que respondia ao vice-presidente da bancada social-democrata Luís Menezes, alegou que o PSD só quer falar do passado por não haver resultados da política do Governo para apresentar nem estratégia para o futuro.

Antes, Luís Menezes responsabilizou os socialistas pela actual situação do país e perguntou a António José Seguro "onde é que andou nos últimos seis anos em que o PS foi Governo em Portugal" e "elevou o endividamento para níveis insustentáveis", fez obras públicas e parcerias público-privadas (PPP) deixando a factura para mais tarde.

"Durante seis anos do Governo do PS, no fundo daquela bancada, não disse nada. Foi conivente com o maior ataque ao Estado social feito em democracia", acusou o deputado do PSD, observando: "A demagogia devia ter limites".


“PROPOSTAS E ALTERNATIVAS NÃO NOS FALTAM”

Seguro considerou que o primeiro-ministro está "perdido" sem saber o que fazer e que o país vive uma "desgraça", defendendo que haver nova maioria socialista em Portugal "é uma questão de tempo".

Já na parte final da sua intervenção, durante o debate no Parlamento, depois de enumerar os principais projectos apresentados pelo PS ao longo do último ano, o líder socialista dirigiu-se directamente aos deputados da maioria governamental: "Propostas e alternativas não nos faltam".

"O que nos falta por enquanto é a maioria para as concretizar, mas será uma questão de tempo", disse, recebendo aplausos da bancada socialista.

Antes, António José Seguro tinha acusado o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, de procurar "iludir a realidade", numa altura em que país está empobrecer "e a ir de mal a pior".

"É a economia e a sociedade que respondem ao Governo quando este pergunta que avaliação se fazem sobre a estratégia prosseguida. É uma desgraça que parece não ter fim. Por muito que o primeiro-ministro tente iludir os portugueses, o país está pior por sua causa. Um homem de Estado não se esconde atrás de nenhum passado, chegou a altura do primeiro-ministro assumir os seus erros", afirmou.

O secretário-geral considerou depois que Pedro Passos Coelho na presente conjuntura "está perdido, não sabe o que fazer", após ter colocado o país "a caminho do abismo".


"Não conte com o PS para o ajudar a carregar no seu acelerador", disse, antes de acusar o líder do executivo de tentar agora recuperar um projeto de revisão constitucional do PSD de 2010, a pretexto de uma necessidade de refundar o processo de ajustamento de Portugal.

"Não nos esquecemos que apresentou uma proposta de revisão constitucional que eliminava o conceito de despedimento sem justa causa e que condicionava o acesso de parte dos portugueses aos cuidados de saúde e à escola pública. À sua proposta de refundação do memorando, respondo com muita clareza: Com o PS não haverá revisão constitucional para destruir o Estado social", frisou.

Outro momento de ambiente crispado no Parlamento aconteceu quando Seguro se referiu à alternativa proposta pelo PS, com os deputados do PSD e CDS a interromperem-no e a perguntarem-lhe onde está essa alternativa.

Seguro respondeu-lhes com uma advertência: "Os portugueses não vos vão perdoar o mal que estão a fazer ao país".

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