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Correio da Manhã

Política
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NINGUÉM LHES VAI COLOCAR UM ADESIVO NA BOCA

Raúl Santos, autarca de Ourique, entrevistado pelo CM, fala do próximo congresso do PSD.
30 de Outubro de 2004 às 00:00
Correio da Manhã - O que espera do congresso do PSD?
José Raúl Santos - O Congresso do PPD/PSD sempre foi um ponto alto do debate político e partidário. É óbvio que os nossos opositores gostariam de assistir a um triste espectáculo preenchido por ofensas verbais ou marcado por divisões insanáveis. E sabe-se como eles torcem, pontualmente solidários, com os sociais-democratas que catalogaram de críticos. O próximo congresso do PPD/PSD será uma frustração para aqueles que nos gostariam de ver divididos.
- O que espera da nova equipa do líder ?
- Um líder existe para liderar. E para atingir este desiderato tem de escolher uma equipa coesa, que se identifique com o programa de acção que for aprovado em congresso e com as linhas programáticas que venham a ser aceites na reunião magna dos sociais-democratas. Pedro Santana Lopes tem o perfil para liderar o PPD/PSD nesta nova fase da sua história. É um resistente, alguém que sempre aceitou lutar com armas desiguais.
- Que sinais pode o Congresso dar à coligação com o CDS-PP?
- É mais um fait divers que interessa à oposição do actual governo. O acordo que preside à coligação PPD/PSD/CDS-PP e nos propósitos que o fundamentam estão datados no tempo. Tudo o que se tente antecipar entra no campo da especulação política.
- Como vê os primeiros 100 dias de Governo?
- Ao contrário do que muitos julgariam possível, após a saída de Durão Barroso da liderança do anterior governo, Pedro Santana Lopes conseguiu, num espaço de tempo muito curto, escolher uma equipa com personalidades que outros primeiros ministros muito desejariam ter nos seus elencos ministeriais. Sobretudo nas pastas mais decisivas, tomando em linha de conta a realidade social e económica actual. A actuação do Governo é claramente positiva.
- Com o caso Marcelo Rebelo de Sousa, espera que os críticos apareçam no congresso?
- O caso Marcelo ainda está longe de encerrado. E mesmo que apareçam os críticos apoiantes do ex-presidente do meu partido, eles vão poder assumir as suas posições sem que alguém lhes coloque um adesivo na boca. É um caso que vive da circunstância, de um ambiente político muito à flor da pele, e sobretudo porque interessa à oposição subtrair as vantagens políticas que ela pensa poder vir a conseguir. Como eu já disse, vivemos um tempo político que eu comparo à espuma da cerveja. Não mata a sede. Pelo contrário, reforça-a.
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