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Correio da Manhã

Política
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Nobre Guedes com processo arquivado

Luís Nobre Guedes, ex-ministro do Ambiente do anterior Executivo, recebeu ontem o despacho de arquivamento do processo Portucale, no qual era arguido. A confirmação foi feita ao CM pelo seu advogado, Pedro Pestana Bastos.
1 de Agosto de 2006 às 00:00
O caso, com 14 meses, remonta a Abril de 2005, quando Nobre Guedes foi constituído arguido por alegado tráfico de influências, depois de ter assinado um despacho para abate de 2500 sobreiros em Benavente, no tempo em que era governante.
Segundo o Ministério Público, há “a convicção segura” de que não houve a prática de crime. A expressão é, até, invocada por Pedro Pestana Bastos para demonstrar que nada terá ficado por esclarecer no processo que pendia sobre o ex-ministro do Ambiente de Pedro Santana Lopes.
Nobre Guedes, recorde-se, foi ouvido uma única vez, enquanto arguido, pela Direcção Central de Investigação da Corrupção e Criminalidade Económica (DCICCEF), em Lisboa, pelo procurador Rosário Teixeira, a 28 de Novembro de 2005.
À saída afirmou: “Não vou dizer a frase patética de que tenho a consciência tranquila, porque os últimos sete meses foram pouco tranquilos.” Prometeu falar, na altura, mas não o fez, tendo-se afastado das lides políticas por opção. Passaram mais sete meses e ontem, contactado pelo CM, Nobre Guedes remeteu qualquer explicação para o seu advogado.
O processo em relação aos demais arguidos, segundo apurou o CM, prosseguirá.
CASTRO E PORTAS SATISFEITOS
Tanto o anterior como o actual líder do CDS-PP emitiram ontem comunicados sobre a decisão judicial de arquivar o processo contra Nobre Guedes no caso Portucale, ambos satisfeitos. Ribeiro e Castro escreve que a “decisão” não surpreendeu o CDS, “embora seja naturalmente motivo de regozijo”, e recorda que o processo visava também “atingir o CDS”, dado o seu mediatismo.
Paulo Portas, antecessor de Ribeiro e Castro, afirma tratar-se de “um primeiro acto de Justiça” e que o ex-ministro agiu bem. “Sofreu estoica e impecavelmente o preço das insinuações”, escreve o antigo líder. E pergunta: “Quem devolverá ao dr. Nobre Guedes e família os prejuízos que sofreram?” No final da missiva, Portas acredita que, a seu tempo, Abel Pinheiro também verá o caso resolvido.
OS MOMENTOS DO CASO DOS SOBREIROS
RECOLHA DE OFÍCIOS
O Ministério Público recolhe ofícios enviados (de 16 de Fevereiro), já depois das eleições de 20 de Fevereiro, pelo chefe de gabinete do então ministro Nobre Guedes, aos ministros da Agricultura, Costa Neves, e do Turismo, Telmo Correia.
BUSCAS
A 10 de Maio de 2005, a Polícia Judiciária faz buscas nos escritórios de Abel Pinheiro e de Nobre Guedes e em instalações do Grupo Espírito Santo. Abel Pinheiro, ex-responsável pelas finanças do PP, é ouvido e constituído arguido.
PARTIDO
O CDS-PP emitiu um comunicado a 10 de Maio e fez uma conferência de Imprensa a recordar o caso. Ribeiro e Castro foi à Procuradoria-Geral da República em Novembro. Mostrou-se satisfeito por Nobre Guedes ter sido ouvido e ilibado.
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