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Correio da Manhã

Política
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Nobre Guedes promete falar

Luís Nobre Guedes foi ontem ouvido pela primeira vez no processo ‘Portucale’ pelo Direcção Central de Investigação da Corrupção e Criminalidade Económica (DCICCEF) em Lisboa, quase sete meses depois de ter sido constituído arguido.
29 de Novembro de 2005 às 00:00
Nobre Guedes acompanhado por Pedro Pestana Bastos
Nobre Guedes acompanhado por Pedro Pestana Bastos FOTO: Gonçalo Oliveira
À saída, depois de uma audição só com interrupção para almoço, o ex-ministro do Ambiente prometeu falar publicamente sobre o caso, considerando que foi dos poucos a respeitar o segredo de Justiça. Faltou dizer quando quebrará o silêncio.
O ex-ministro esteve no DCICCEF ao longo do dia, onde foi ouvido pelo procurador Rosário Teixeira, responsável do processo. “Não há nada como esperar e ser paciente”, frisou Nobre Guedes.
“Durante sete meses estive à espera de perceber as razões pelas quais tinha sido constituído arguido”, afirmou o também ex-dirigente do CDS--PP, que considerou ter ficado “esclarecido”. Optando por falar mais no seu estado de alma do que dos resultados da audição, Guedes confessou: “Não vou dizer a frase patética de que tenho a consciência tranquila, porque os últimos sete meses foram pouco tranquilos.”
O caso remonta a Fevereiro de 2005, quando Nobre Guedes assinou um despacho com os ministros do Turismo e da Agricultura, Telmo Correia e Costa Neves, para abater 2500 sobreiros em Benavente, tendo em vista um projecto turístico. Foi constituído arguido, em Maio, por suspeita de tráfico de influências. Na audição esteve acompanhado do seu ‘amigo’ Pedro Pestana Bastos, dirigente do CDS-PP e colega de escritório.
PROCESSO
ENVOLVIDOS
O Ministério Público recolheu vários ofícios enviados, já depois de 20 de Fevereiro, pelo chefe de gabinete do então ministro do Ambiente, Nobre Guedes, aos ministros da Agricultura, Costa Neves, e do Turismo, Telmo Correia. E Abel Pinheiro, ex-dirigente e responsável pelas finanças do CDS, foi ouvido no Tribunal da Boa-Hora a 11 de Maio. Foi constituído arguido.
PARTIDO
O CDS fez uma conferência de Imprensa a recordar o caso e Ribeiro e Castro foi à Procuradoria-Geral da República há dez dias. Ontem mostrou-se satisfeito por Nobre Guedes ter sido, finalmente, ouvido.
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