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Correio da Manhã

Política

Nomeação levanta polémica

A possibilidade da nomeação do dirigente da UGT Luís Lopes para presidente do Instituto para a Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho (ISHST) está a desagradar e muito aos parceiros sociais, especialmente à CGTP, que não quer ver um sindicalista a decidir sobre financimentos de programas que lhe são remetidos pela central sindical e restantes parceiros sociais, incluindo a própria UGT.
16 de Maio de 2005 às 00:00
A nomeação de Luís Lopes para a presidência do conselho directivo do ISHST, em substituição de Jorge Gaspar, ainda não foi confirmada oficialmente pelo Ministério do Trabalho, mas tudo indica que a decisão já está tomada. Instado a comentar o assunto, Luís Lopes declarou, através do gabinete de relações públicas da UGT: “Neste momento não tenho conhecimento de nada. O meu nome está a ser falado bem como o de muitas outras pessoas.”
Luís Lopes é membro da Comissão Permanente da UGT, dirigente do Sindicato Democrático dos Professores (SINDEP), pertence ao Centro de Formação Sindical e Aperfeiçoamento Profissional (CEFOSAP), e é ainda presidente da Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho.
Fontes contactadas pelo CM colocam o problema no plano ético e político. É essa também a posição da CGTP que, pela voz de Joaquim Dionísio, considera que um cargo dessa natureza “não deve ser desempenhado por um sindicalista em efectividade de funções”. Mas, se assim for, é a primeira vez que um Governo escolhe um sindicalista para um instituto público que gere um orçamento de cerca de 11 milhões de euros por ano e que tem por competência decidir sobre programas de financiamento de todos os parceiros sociais, nomeadamente da própria UGT. Tanto quanto o CM apurou esta central sindical entregou recentemente no ISHST um pedido de apoio financeiro para as comemorações do 1.º de Maio. O ISHST tem ainda acesso a informações sobre todos os parceiros sociais, nomeadamente sobre a CGTP.
“A competência de Luís Lopes não está em questão. O problema é que o Governo devia ter maior cuidado porque, como diz o ditado, “à mulher de César não basta ser séria é preciso parecer” – esclarece Joaquim Dionísio, acrescentando: “Se fosse um elemento da CGTP caía o Carmo e a Trindade!”.
A nomeação também não está a ser bem recebida pelos restantes parceiros sociais. A Confederação da Indústria Portuguesa (CIP) já tomou conhecimento do caso e está incomodada.
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