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Correio da Manhã

Política
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Novo aeroporto de Lisboa em terrenos alagados

Milhões de metros cúbicos de terras removidas, cursos de água desviados e construção em leito de cheias são os principais impactes da obra de construção do novo aeroporto na Ota. Para além destes, há que contar com o aumento do ruído e a degradação da qualidade do ar.
14 de Março de 2007 às 00:00
O terreno onde será construído o aeroporto da Ota tem características semelhantes às das lezírias
O terreno onde será construído o aeroporto da Ota tem características semelhantes às das lezírias FOTO: d.r.
“Os terrenos onde se prevê construir têm uma altura de 2 metros, a mesma que a das lezírias e à semelhança destas basta um ano de chuva normal para ficarem alagados”, explicou ao CM José Carlos Morais, da Alambi – Associação para o Estudo e Defesa do Ambiente do Concelho de Alenquer, adiantando que além de terem de se desviar rios e ribeiras, o novo aeroporto terá de ser construído sobre estacas.
José Carlos Morais sublinha que ainda é cedo para se dar como certa a construção do novo aeroporto de Lisboa naquela zona. “O estudo de impacte ambiental só vai começar a ser feito no final deste mês e como este tem carácter vinculativo tudo dependerá das conclusões”, afirmou aquele responsável.
O dirigente da Alambi criticou, porém, o facto de se prever que o estudo esteja concluído no final do ano, “não avaliando um ciclo completo de regeneração e não abrangendo o Inverno”.
Outra crítica daquela associação prende-se com o facto de se estar a tirar o aeroporto do centro de uma cidade para o pôr noutra. “Além das pistas ficarem mais baixas que o Carregado, onde existem torres que vão ficar sob a rota dos aviões, tal como acontece no Campo Grande, está já prevista a construção de uma cidade aeroportuária”, referiu.
Para a própria NAER – Novo Aeroporto S.A., “nas componentes ecologia e uso do solo os impactes negativos serão dificilmente minimizáveis”. Já no que diz respeito aos impactes ao nível do ruído e qualidade do ar, a “minimização poderá efectuar-se através de um adequado uso do solo na envolvente do aeroporto e também da sua estratégia de exploração”.
APONTAMENTOS
AVALIAÇÕES
As questões ecológicas sempre foram consideradas pertinentes, tendo a Comissão de Avaliação, em 1999, concluído que “as alternativas de localização propostas apresentam impactes negativos significativos.”
MENOS DESFAVORÁVEL
A localização do Novo Aeroporto de Lisboa na Ota é menos desfavorável que em Rio Frio – a outra hipótese considerada – por esta apresentar graves condicionantes que podem pôr em causa a sustentabilidade ambiental, lê-se no parecer da Comissão de Avaliação.
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