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Correio da Manhã

Política
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Novo Banco volta à Assembleia da República para esclarecer dúvidas

Requerimento do PAN para audição do banco sobre prémios polémicos será aprovado.
Wilson Ledo 22 de Maio de 2020 às 08:40
Equipa de António Ramalho mostrou, em comunicado, disponibilidade para “tudo esclarecer” no Parlamento sobre vendas de créditos e verbas pedidas
Equipa de António Ramalho mostrou, em comunicado, disponibilidade para “tudo esclarecer” no Parlamento sobre vendas de créditos e verbas pedidas FOTO: Vítor Mota
A administração do Novo Banco vai voltar ao Parlamento para prestar esclarecimentos. Há uma maioria na comissão de Orçamento e Finanças disposta a aprovar, no próximo dia 26, o requerimento do PAN para que António Ramalho seja ouvido sobre os prémios milionários para a gestão. Contudo, os partidos querem ir mais longe e discutir outras questões, como a alienação de ativos ou os perdões de dívida do banco nascido da queda do BES.

O PSD seguiu o conselho do primeiro-ministro no último debate quinzenal e enviou esta quinta-feira uma carta à administração do banco a pedir documentação. "A informação deve chegar antes de qualquer audição", explicou Duarte Pacheco ao CM, defendendo que só assim os deputados estarão em igualdade de circunstâncias para o confronto.

Já Fernando Anastácio lembra que o PS sempre foi muito crítico sobre a questão dos prémios. O deputado crê que a audição de Ramalho "ganharia toda a vantagem" se tivesse lugar após ser divulgada a auditoria que está a ser preparada pela Deloitte.

Bloco de Esquerda e PCP também darão luz verde ao requerimento do PAN mas prometem abordar outras questões. "Há matéria para um escrutínio por parte da Assembleia da República", garante o comunista Duarte Alves. Já a bloquista Mariana Mortágua reforça que se irá bater pelo projeto de lei que "proíbe todos os bónus".

A gestão do Novo Banco mostrou-se esta quinta-feira disponível para "tudo esclarecer" no Parlamento e desafiou os deputados a avançarem com "todas as iniciativas que estão nas suas atribuições". A administração lamentou ainda que o "bom-nome da instituição" esteja a ser usado como "arma de arremesso político". A posição chegou um dia após as declarações do primeiro-ministro, que admitiu que o Fundo de Resolução "tem toda a legitimidade" para recuperar o dinheiro se a auditoria provar que existiu má gestão.

SAIBA MAIS
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milhões de euros foi o valor atribuído em prémios à gestão do Novo Banco. O pagamento, que só pode ser feito em 2022, está condicionado à evolução dos indicadores. O Fundo de Resolução decidiu descontar este valor à transferência prevista, por discordar dele.

Salários dispararam
A decisão de atribuir estes prémios coube à Lone Star, que é dona de 75% do Novo Banco. Desde que o fundo norte-americano assumiu o controlo da instituição, os salários dos gestores disparam 75%.
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