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Correio da Manhã

Política
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Nuno Cardoso defende fusão do Porto com Gaia

O ex-presidente socialista da Câmara do Porto Nuno Cardoso considerou hoje que o "grande desafio" do município é fundir-se com Gaia, criando "a maior cidade do país", e desafiou o actual autarca portuense, Rui Rio, a trabalhar essa ideia.
3 de Novembro de 2012 às 18:14
Fusão Porto-Gaia, Nuno Cardoso, Rui Rio
Fusão Porto-Gaia, Nuno Cardoso, Rui Rio

"O grande desafio da cidade do Porto é juntar--se à margem esquerda [do Douro]. É isso que me mobiliza e que mobiliza muitos portuenses. Digo portuenses, ao mesmo tempo que digo gaienses, porque, para mim, é uma só realidade, que convém que também o seja administrativamente", afirmou Nuno Cardoso, que falava aos jornalistas à margem de um debate sobre o centro histórico daquela cidade.

Fundindo-se com Gaia, o Porto será "mais forte, a maior cidade do país e um grande dínamo da economia do norte", assinalou o antigo autarca, admitindo que, "mais tarde", também Matosinhos se possa associar ao grande município que preconiza.

Nuno Cardoso, que dirigiu a Câmara do Porto nos dois anos e três meses que precederam o primeiro mandato de Rui Rio, exortou o seu sucessor a envolver-se no processo, ainda que esteja prestes a abandonar o cargo.

"Podia ainda ser um dos promotores da fusão, promovendo a discussão [da matéria] na Assembleia Municipal do Porto e promovendo a parte burocrática e legal para que este passo seja dado", defendeu.

Questionado sobre se o PS, de que já foi líder da Concelhia do Porto, também estará disponível para alimentar a ideia de fundir as duas cidades, o antigo presidente da Câmara respondeu: "Se o PS está ou não, é problema do PS, mas o povo está claramente. Sente-se que o povo quer uma grande cidade. E a cidade das duas margens só faz sentido".

Num entrevista ao Jornal de Notícias, o candidato do PS à Câmara do Porto, Manuel Pizarro, disse que a fusão de Porto e Gaia era uma ideia "interessante", mas só "no plano teórico", perguntando: "porquê unir Porto e Gaia e não Porto a Matosinhos?".

Perguntou ainda "se os cidadãos do Porto, cuja câmara deve 140 milhões de euros, querem pagar os 350 milhões de dívida da Câmara de Gaia".

Manuel Pizarro estava anunciado como um dos convidados para o debate sobre o centro histórico do Porto, em que participou hoje Nuno Cardoso, não tendo comparecido.

Nas suas declarações aos jornalistas, Nuno Cardoso criticou posições expressas no seio do PS quanto à possibilidade legal de o social-democrata Luís Filipe Menezes se candidatar à Câmara do Porto, agora que está impedido de se recandidatar em Gaia.

"Pretendeu-se excluir alguém na secretaria e isso fica muito mal. Fica sobretudo muito mal a um partido que se diz republicano e socialista", afirmou o antigo presidente de Câmara.

Na sua leitura, "ficou claro que a lei [de limitação de mandatos] tem a ver apenas com o território".

No debate sobre o centro histórico do Porto, Nuno Cardoso sublinhou o facto de, enquanto presidente da Câmara, ter instalado a presidência da Câmara naquela zona durante um período de três meses.

O ex-autarca concordou com a maioria dos intervenientes quanto à necessidade de o processo de reabilitação urbana do casco histórico não sacrificar as "pedras vivas" da zona, aqueles que lá nasceram.

 

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