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Correio da Manhã

Política
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O domínio do laranja

Com duas freguesias por apurar no concelho de Mondim de Basto (Vila Real), mais uma em Braga, o escrutínio das Eleições Autárquicas 2005 esta praticamente concluído ontem às 22h00 e a marca mais forte é uma grande estabilidade nos resultados finais.
11 de Outubro de 2005 às 00:00
O Partido Socialista no Governo perdeu 22 presidências de câmaras, mas ganhou 17 e o PPD/PSD vencedor das eleições conquistou 15 concelhos ao mesmo tempo que cedia 13 lideranças municipais ao PS e via mais três passarem para independentes.
Mesmo juntando as 20 câmaras a gerir em listas de coligação com o CDS/PP, geralmente encabeçadas por militantes sociais democratas, a onda laranja soma 158 presidências ou seja o mesmo resultado do balanço que se podia fazer depois de tudo contado há quatro anos.
Os mapas coloridos com as cores partidárias vencedoras em cada concelho mostram esta estabilidade, apesar de quase quatro dezenas de mudanças no conjunto dos 308 concelhos de Portugal.
É preciso olhar para os partidos mais pequenos para as mudanças serem notórias.
Afinal, perdendo três dos quatro concelhos que tinha o CDS/PP caiu 75% e deixou no mapa apenas um pequeno sinal de existência em Ponte de Lima, enquanto o Bloco de Esquerda se manteve a 100%, guardando a única câmara que liderava em Salvaterra de Magos.
Para além do fenómeno dos independentes, onde os mediáticos Isaltino Morais, Valentim Loureiro e Fátima Felgueiras têm a companhia do ex-PCP Alfredo Barroso, eleito no Redondo (distrito de Évora) e ainda as listas de cidadãos vencedoras em Alcanena (Santarém), Alvito (Beja) e Sabrosa (Vila Real), a maior subida em números absolutaos acabou por ser a da coligação PCP/PEV com mais quatro câmaras relativamente ás eleições de 2001. E destaca-se, sobretudo, por ter ganho sete câmaras ao PS (três em Setúbal, duas em Leiria e Beja), quando também cedeu duas presidências ao partido no Governo em Setúbal e Évora. Em termos de coligações lideradas pelo PSD e apoiadas pelo CDS/PP, MPT e PPM, os ganhos vêem-se em cinco presidências conquistadas ao PS, considerando-se contas tácticas as três ganhas ao PPD/PSD ou as quatro perdidas para os laranjas.
O facto é irrelevante na medida em que os cabeças-de-lista destas coligações à direita são sempre sociais democratas.
Refira-se enfim que em números nacionais as votações em listas do PS somaram quase dois milhões e que o PPD/PSD precisa de acumular os votos das coligações para ultrapassar aquela barreira.
2005: AZUL DO CDS-PP NO MÍNIMO
O balanço final das eleições de domingo para as presidências dos 308 municípios confirmou um país a rosa e laranja, com 158 câmaras presididas por sociais democratas e 109 por socialistas.
Com os restos ficou o PCP que preside a 32 concelhos, enquanto sete foram conquistados por listas independentes, e CDS-PP e o BE ficaram com uma câmara cada um.
2001: UM PAÍS JÁ A ROSA E LARANJA
Há quatro anos, os partidos do centro - PS e PPD/PSD - impuseram o cor de rosa e laranja, reduzindo ao mínimo o vermelho do PCP- PEV. Surgiu, então, a novidade BE que não cresceu quatro anos depois.
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