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Correio da Manhã

Política
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O 'EMPURRÃO LÚDICO' DE MÁRIO SOARES

"Tentativa de destabilizar" ou "uma atitude lúdica". Foi assim que alguns socialistas interpretaram as palavras de satisfação de Mário Soares sobre o facto de António Vitorino não ter avançado para o cargo de secretário-geral da Nato.
24 de Setembro de 2003 às 00:00
Mário Soares não se cansa de dar apoio a António Vitorino para uma missão muito especial... em Portugal
Mário Soares não se cansa de dar apoio a António Vitorino para uma missão muito especial... em Portugal FOTO: Jorge Godinho
Ninguém tem dúvidas que o militante número um do PS quis lançar o comissário europeu para secretário-geral do partido, ao atribuir-lhe uma "missão" em Portugal. Mas, lembram que Soares não ocupa qualquer cargo na comissão política ou no secretariado.
O mais emblemático dos fundadores do PS "tem algum peso" na sociedade, junto da opinião pública, mas "já não determina a estratégia do PS", referiu ao CM um parlamentar.
Outro socialista "regista" a opinião de Soares e limita-se a dizer que o 'pai' fundador do partido teve "uma atitude lúdica", numa clara "tentativa de destabilizar".
Mário Soares ficou "radiante" e insistiu na ideia de que "António Vitorino não deve esquecer de que tem, talvez, um destino e uma missão em Portugal". Ora estas afirmações contrariam a posição do PS, assumida nas declarações do deputado Vitalino Canas. O parlamentar lamentou o sucedido e sublinhou que o comissário português "tinha todas as condições para desempenhar um bom lugar". Porém, Canas reconheceu que o "peso específico de Portugal" não permitiria eleger um secretário-geral na Aliança Atlântica.
Por seu turno, Soares explica que o desígnio do político de comissário é em Portugal, mas não o concretiza. A alternativa à liderança não está em cima da mesa. "Os dirigentes políticos sabem-se quem são", adiantou.
Ora, são conhecidas as posições de Soares, que logo a seguir à saída de António Guterres, defendeu a vinda de Vitorino para o cargo de secretário-geral do seu partido. Por isso, não perde uma oportunidade para o recordar. E garante: "Penso por mim, não penso pela cabeça dos dirigentes do PS". Já para Vitorino "o futuro a Deus pertence". Disse-o numa entrevista à SIC-Notícias. Logo o seu futuro político está em aberto, conforme noticiou o CM no sábado: O PS ou a continuidade na Europa.
Quem também não perde uma oportunidade de questionar a actual direcção socialista é António Barreto que na passada sexta-feira, (no 'Público'), pediu uma urgente remodelação na direcção do PS e do líder.
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