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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

O que propõe Montenegro para o partido e o País na sua moção

Luís Montenegro foi eleito líder do PSD pela primeira vez em 28 de maio de 2022 contra Jorge Moreira da Silva.

19 de junho de 2026 às 09:39

O presidente do PSD compromete-se na sua moção global para os próximos dois anos a "não ter uma solução de governo nem com o Chega nem com o PS", mas considera ser absurdo falar de "cercas sanitárias" no Parlamento.

"O sentido do 'não é não' com o Chega é o mesmo do 'não ao bloco central' com o PS", refere Luís Moção Montenegro na moção de estratégia global "Trabalhar - Fazer Portugal Maior" com que foi reeleito e que será votada no 43.º Congresso do PSD que se realiza este fim de semana em Anadia (Aveiro).

O presidente do PSD adverte, contudo, que "não estabelecer um acordo de governação não pode nem deve significar rejeição de diálogo e negociação política".

Em especial no Parlamento, propõe-se "continuar o diálogo político com as oposições e de forma particular com os dois partidos que na oposição têm representação suficiente para viabilizar iniciativas", mas deixando críticas quer ao Chega quer aos socialistas.

"O PSD, líder da AD, sendo a referência da moderação política e sendo a referência do reformismo político, governa sem deixar o país cair nem na irresponsabilidade do populismo e da imaturidade 'chegana', nem na estagnação do imobilismo e da estatização socialista", escreve, considerando que o mandato dado pelos portugueses é o de governar sem maioria absoluta.

No entanto, na primeira apresentação pública da moção, em Sintra (Lisboa), Montenegro admitiu que ainda tem a maioria absoluta "na mira", apesar de defender o cumprimento da legislatura até 2029.

O líder do PSD aponta as várias vezes em que Chega e PS têm consigo "coligar-se pontualmente contra os partidos que suportam o Governo" como "a mais óbvia demonstração do absurdo que se reveste falar de 'cercas sanitárias' no parlamento português".

"Numa democracia madura, todos devem respeitar a pronúncia do povo soberano. Os portugueses estão manifestamente cansados de eleições intercalares e querem que todos mostrem o que valem. Governo e oposições devem cumprir as suas missões e no fim da legislatura, todos serão julgados pelo seu desempenho", apela.

Recuperando um slogan eleitoral de Cavaco Silva na sua primeira campanha presidencial -- "Portugal maior" -, Montenegro salienta no texto que, quatro anos depois de ter assumido a liderança do PSD, o partido conduz a maioria das Câmaras Municipais e das Juntas de Freguesia, bem como os governos da República e das Regiões Autónomas.

"Sem eleições no horizonte, é-nos exigida coragem reformista e ambição responsável (...) Temos o dever de apresentar soluções arrojadas e ir à procura das convergências possíveis no panorama político e social do país", sublinha.

Na moção, o presidente do PSD e primeiro-ministro insiste que rever a legislação laboral é "condição para atração de investimento e crescimento da economia" e defende que é preciso aproveitar a "estabilidade política" para fazer reformas.

"A missão do PSD é liderar e trilhar esse caminho. Fazê-lo com sentido de Estado, com coragem reformista e com compromisso social. Não estamos disponíveis para apenas gerir a situação --- como fizeram os Governos do Partido Socialista. Queremos desbloquear, transformar e potenciar Portugal, preparando o país para o futuro", refere.

Na moção, refere-se que a visão para o país de Montenegro assenta em cinco eixos: investir no talento de todos, "sem deixar ninguém para trás"; reformar o Estado para remover obstáculos à vida dos portugueses e das empresas; reforçar a coesão, a competitividade e a inovação; garantir autonomia energética para reforçar a resiliência climática e a competitividade; e aumentar a presença e influência na Europa e no mundo.

Luís Montenegro foi eleito líder do PSD pela primeira vez em 28 de maio de 2022 contra Jorge Moreira da Silva, reeleito sem oposição em setembro de 2024 e, novamente como candidato único, a 30 de maio.

Nas últimas eleições internas, conseguiu 94,8% dos votos, mas foi o líder do PSD eleito com menos votos desde que há diretas (14.467 votos), que registaram igualmente a maior taxa de abstenção de sempre (73,2% dos inscritos).

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