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Correio da Manhã

Política
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O TABU DE ANTÓNIO GUTERRES

O responsável do PS para as relações internacionais, José Lamego, afirmou ontem que o ex-primeiro-ministro António Guterres recolhe a unanimidade dos dirigentes europeus da Internacional Socialista (IS) para se recandidatar à presidência da organização.
27 de Agosto de 2002 às 23:09
No entanto, esta não é a opinião dos socialistas portugueses. Por exemplo, Manuel Alegre sustenta que preferia que o candidato fosse Mário Soares.

“A Internacional já não tem o peso que tinha nos anos 70 e não tem voz forte em questões importantes. Gostaria que Mário Soares fosse presidente da IS, mas ele não quer”, revelou o deputado que mesmo assim considera que “Guterres fará melhor figura do que outros”.

Esta opinião é partilhada por João Cravinho, que mostra satisfação pelo trabalho desempenhado por Guterres no quadro europeu. Cravinho salienta, porém, que a IS não tem o mesmo peso de outros tempos e que essa perda de influência se deve ao facto de “os partidos, que dela fazem parte, terem deixado de estar no poder”.

Para João Soares a recandidatura de Guterres seria bastante oportuna, uma vez que está liberto de responsabilidades no Governo e no partido. “Poderá dedicar-se com maior dinâmica às suas funções como presidente”. A opinião do ex-autarca contraria as declarações feitas em Maio por Mário Soares, nas quais acusou Guterres de ser o responsável pela paralisia da Internacional Socialista , designadamente na guerra israelo-palestiniana. “A IS já não é o que era no meu tempo”, desabafou Soares.

Regresso?

Feitas as contas, a maioria do Partido Socialista está, no entanto, disposta a apoiar a recandidatura de Guterres, mas é preciso saber se o ex-primeiro-ministro pretende o lugar. Ora, o facto de o tema ter sido lançado nesta altura por José Lamego tem directamente a ver com esta questão que divide o PS: quererá Guterres regressar à política activa, ou pretende afastar-se de vez?

A resposta a esta dúvida (que mexe também com as presidenciais) será esclarecida com a eleição para a Internacional Socialista: se o ex-primeiro-ministro aceitar, significa que pretende voltar; se disser que não, o afastamento da vida partidária fica praticamente assumido.

A questão da liderança da IS será resolvida entre o final de Novembro e o início de Dezembro, quando o Conselho da Internacional se reunir em Genebra, apesar de as eleições para a presidência só estarem previstas para Março ou Abril.

Até lá, Guterres terá de esclarecer em que posição se coloca, até porque não é certa a eleição. Sobre esta dúvida, José Lamego sustenta que as interrogações já foram dissipadas na última reunião da IS em Casablanca: os líderes socialistas europeus terão manifestado o apoio ao ex-primeiro-ministro.

O que é a Internacional Socialista

É uma organização mundial não governamental que reúne os partidos socialistas trabalhistas (como o de Tony Blair, na foto). Foi criada em 1951 e dela fazem parte cerca de 150 partidos e organizações. O Congresso e o Conselho são os seus principais órgãos de decisão. Guterres é o actual presidente
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