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Correio da Manhã

Política

O 'TUMOR DA DESCOLONIZAÇÃO'

O maior aplauso dos cerca de 600 congressistas que marcaram presença ontem no primeiro dia do XIX Congresso do CDS-PP surgiu quando Paulo Portas afirmou que "na belíssima história democrática de Portugal, houve de facto um tumor, a descolonização, não pelo conceito mas pela forma como foi feita", numa clara resposta às afirmações de Mário Soares, que há alguns meses equiparara Portas no Governo a um tumor.
28 de Setembro de 2003 às 00:00
Portas foi recebido como o  homem providencial,  só comparável a Amaro da Costa
Portas foi recebido como o homem providencial, só comparável a Amaro da Costa FOTO: Márcia Lessa
Esta foi a mais forte das críticas, em jeito de resposta, lançadas pelo líder popular à esquerda e ao PS, em particular. E da família Soares, Portas recordou ainda a polémica saída de Maria Barroso da da Cruz Vermelha.
O líder do CDS-PP quer manter a coligação com o PSD, mas quer que o tema Presidenciais apenas seja abordado pelo partido "no tempo devido" e não "quando nos perguntam". No discurso de apresentação da sua moção, Portas renovou o desejo de manter o partido a concorrer ao lado do PSD nas legislativas, nas europeias a coligação "não é uma oferta, é uma preferência" e nas autárquicas "terá de correr melhor da próxima vez".
Quanto às Regionais dos Açores e Madeira, o partido deve tentar aumentar a sua representatividade nas respectivas assembleias.Portas aproveitou para responder a todos os que o atacaram nos últimos tempos, lançando ferozes respostas a quem se tem dedicado a usar frequentemente "a injúria e o insulto".
PROMESSAS
LIVROS
O líder da JP, João Almeida, garantiu que vai apresentar um projecto de lei sobre os manuais escolares, com o objectivo de manter os livros de ano para ano.
CONSTITUIÇÃO
O líder parlamentar do CDS-PP Telmo Correia, prometeu apresentar em 2004 um projecto de revisão constitucional que seja uma ruptura com o actual paradigma constitucional.
AS 'ESTRELAS' CELESTE E XAVIER
Lobo Xavier e Celeste Cardona foram as 'estrelas' do primeiro dia do congresso. Lobo Xavier, que provavelmente substituirá Maria José Nogueira Pinto na presidência da mesa do Conselho Nacional foi o primeiro orador a atacar a Nova Democracia e o seu líder e ex-presidente do CDS-PP, Manuel Monteiro.
Esclarecendo que o partido "aguenta bem as acusações de que é de direita radical vindas de Ferro, de Cunhal, de Louçã ou até do meu amigo Pacheco Pereira, mas não vindas da Nova Democracia". Xavier comparou mesmo o partido de Monteiro a "Deco em frente aos defesas centrais, que pensam que ele vai para a direita mas vai para a esquerda e que quando pensam que vai para a direita vai para a esquerda".
A comparação futebolística valeu uma grande salva de palmas.
Celeste Cardona protagonizou o momento mais emotivo do congresso com apelos à determinação dos militantes e com os relatos das suas "vitórias" no Ministério da Justiça.
INOVAÇÕES DEMOCRATAS-CRISTÃS
O FILME 'HISTÓRICO'
Um dos momentos mais altos, mas também controverso, do primeiro dia do congresso foi a projecção de um vídeo evocativo dos momentos mais significativos da vida do CDS. A’fita’ recordava Adelino Amaro da Costa e seguia directamente para a liderança de Portas. De Freitas do Amaral passou uma imagem breve. Adriano Moreira, Lucas Pires e Manuel Monteiro foram esquecidos...
A 'ARENA' POLÍTICA
CDS-PP optou por voltar a inovar na forma de realizar os seus eventos políticos. Em vez da disposição habitual do espaço nos Congressos -mesa com palanque lateral ou posterior onde os oradores encaram de frente os congressistas, dispostos em filas- optou-se por um formato redondo, com os oradores no centro, à maneira de uma arena (neste caso política). Parece que resulta.
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