Impacto resulta da atualização ou revisão de três normas que influenciam o cálculo do imposto.
A redução de IRS prevista na proposta do Orçamento do Estado para 2027 (OE2027) permitirá uma poupança anual de 307 euros a quem ganha 970 euros brutos por mês e 37 euros num salário de 1.500, conclui a consultora PwC.
As simulações realizadas para a Lusa confirmam que, em 2027, se a proposta de lei for aprovada tal como o Governo propõe, haverá "uma redução generalizada do IRS" nos vários escalões de rendimento, resume Joana Garrido, da equipa fiscal da consultora.
A poupança calculada pela PwC é feita entre a tabela de IRS inscrita no OE2027 e a versão da tabela de IRS que estará em vigor em vigor em 31 de dezembro de 2026 se a proposta de desagravamento adicional apresentada pelo Governo de Luís Montenegro em setembro deste ano for aprovada entretanto no parlamento.
O impacto resulta da atualização ou revisão de três normas que influenciam o cálculo do imposto.
Segundo a iniciativa legislativa, os limites dos nove escalões são atualizados em 3,88%, o que beneficia os contribuintes de todos os degraus de rendimento.
Ao mesmo tempo, haverá uma atualização do mínimo de existência para 13.580 euros (a regra de isenção de IRS para quem recebe menos), o que terá impacto nos escalões de rendimento mais baixos.
A isso soma-se uma atualização do limiar de rendimento a partir do qual se aplica a taxa adicional de solidariedade, que, ao subir de 80.000 euros para 89.995 euros, passa a estar alinhada com o limiar inferior do último escalão do IRS (9.º), o que, sublinha Joana Garrido, "afeta o penúltimo escalão" (8.º).
De acordo com as simulações, um trabalhador solteiro e sem filhos que receba 970 brutos por mês paga atualmente 315 euros de IRS anual e passará a pagar 307 euros se a iniciativa do Governo já para 2026 for aprovada. Com o OE2027, este contribuinte volta a beneficiar de uma redução do IRS mesmo não havendo uma alteração nas taxas. Como as alterações fiscais previstas fazem com que fique a pagar zero euros de IRS terá uma poupança de 307 euros anuais.
Num vencimento bruto de 1.100 euros, a poupança anual em 2027 será de 244 euros (será de 273 quando comparada com a primeira versão do IRS de 2026).
Para um trabalhador solteiro e sem filhos que ganha 1.500 euros brutos, a diferença em 2027 será menor, havendo uma redução fiscal anual de 37 euros (sendo de 102 euros quando se faz a comparação com o IRS inicial de 2026).
Num salário de 2.000 euros, o corte fiscal em 2027 é de 79 euros (subindo para 180 euros quando se simula o acumulado que compara com a primeira versão do IRS de 2026).
Nos vencimentos de 2.250 ou 3.250 euros, o desagravamento entre o IRS final de 2026 e o IRS proposto para 2027 volta a superar os 100 euros anuais. Segundo as simulações, será de 119 euros no primeiro caso e de 165 no segundo.
Num rendimento mensal de 5.000 euros, a redução fiscal anual será de 334 euros (sendo de 506 euros quando comparado com o IRS inicial de 2026).
Os impactos são idênticos para um casal sem filhos.
Num casal com dois filhos, em que cada trabalhador recebe 970 euros brutos por mês, as alterações ao IRS em 2027 não se refletirão no bolso desta família, uma vez que atualmente os dois contribuintes não pagam IRS e no próximo ano continuarão a ficar isentos.
Se os dois membros do casal com dois filhos receberem 1.100 euros por mês cada, a poupança anual será de 488 euros (e de 546 euros quando comparado com o IRS inicial de 2026).
Se o vencimento for de 1.500 euros, o desagravamento será de 73 euros (ou de 204 euros no acumulado).
Num salário de 2.000 euros, o corte será de 159 euros (359 euros na comparação acumulada).
Se os membros do casal receberem 3.750 euros cada um, o ganho anual da família será de 619 euros (ou de 963 euros no acumulado).
Em vencimentos de 5.000 euros, o casal beneficiará de uma redução do IRS de 668 euros (ou de 1.011 euros quando comparada com o IRS inicial de 2026).
Se o salário de ambos for de 7.500 euros, o desagravamento anual será de 1.397 euros (ou de 1.740 euros no acumulado).
Orçamento do Estado 2027
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*O Governo aprovou alterações ao IRS em 17 de setembro. Os efeitos serão sentidos no mês de novembro. O comparativo tem em conta esta última alteração e não o valor constante no Orçamento de 2026. Rendimentos líquidos anuais. Fonte: Deloitte.
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