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Correio da Manhã

Política
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OPOSIÇÃO RECORRE A SAMPAIO

A maioria parlamentar recusou ontem propostas da oposição para a realização de mais audições, nomeadamente com o Procurador-geral da República, Souto Moura, e com o ex-director nacional da PJ, Luís Bonina, na Comissão parlamentar de inquérito às demissões na Policia Judiciária. PSD e CDS-PP recusaram também a acareação entre Adelino Salvado e os seus ex-adjuntos Maria José Morgado e Cunha Lopes.
8 de Novembro de 2002 às 00:00
Em consequência, PS, PCP, Bloco de Esquerda e “Os Verdes” suspenderam a sua participação na Comissão.

A decisão da esquerda parlamentar foi anunciada numa conferência de imprensa conjunta, dada por Alberto Martins (PS), António Filipe (PCP), Francisco Louçã (Bloco de Esquerda) e Isabel de Castro (PEV) em que foi garantido que a oposição está disposta a ir até às últimas consequências, nomeadamente recorrer ao Presidente da República caso o PSD e CDS-PP continuem a recusar novas audições. No entanto, segundo Alberto Martins, "no primeiro momento, compete à própria Assembleia da República [ou seja, ao Presidente da AR, Mota Amaral] analisar o regular funcionamento da instituição parlamentar." E, só "numa segunda fase, o regular funcionamento da Assembleia da República é apreciado por outros órgãos de soberania", sustentou o deputado socialista fazendo uma alusão indirecta aos poderes de Sampaio.

Porém, Mota Amaral está fora do País e será a presidente da Assembleia da República em exercício, Leonor Beleza, que receberá já hoje os deputados da oposição. O deputado Telmo Correia condenou a decisão da oposição considerando ter sido um comportamento inaceitável. O líder parlamentar do CDS-PP alegou que a acareação foi recusada porque poderia "ferir a credibilidade da PJ" e em nada contribuiria para esclarecer as contradições existentes nos depoimentos de Salvado e Morgado.

Com a saída da oposição, os trabalhos ficam suspensos. Segundo Telmo Correia a comissão só pode funcionar com a presença de deputados de dois partidos, sendo que um deles terá de ser da oposição.
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