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Correio da Manhã

Política
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Ota provoca o primeiro confronto entre PS e PSD

O tema nem estava na agenda dos dois candidatos, mas o aeroporto internacional de Lisboa serviu ontem de mote ao despique entre Fernando Negrão e António Costa. O candidato apoiado pelos sociais-democratas, anunciou que vai escrever uma carta aos adversários nestas eleições a “propor um pacto” para a manutenção do aeroporto da Portela na capital, insistindo que as pistas do Montijo e Sintra podem servir a curto prazo para os voos de low-cost.
30 de Maio de 2007 às 00:00
António Costa (PS) e Fernando Negrão (PSD) tiveram ontem iniciativas ligadas à área social
António Costa (PS) e Fernando Negrão (PSD) tiveram ontem iniciativas ligadas à área social FOTO: Manuel Moreira
Ao que António Costa, do PS, respondeu: “Acho estranho alguns candidatos passarem o tempo a discutir temas de política nacional quando não faltam problemas da cidade para debater”.
Em fase de pré-campanha eleitoral, o candidato Fernando Negrão agendou para o dia de ontem uma visita o centro de saúde de Alcântara, mas o tema que trazia na bagagem era o do aeroporto da Portela. No final da visita, o candidato do PSD preferiu explicar, em primeiro lugar, que vai escrever aos doze partidos e movimentos que estão na corrida à Câmara de Lisboa a lançar um repto: “Que ainda antes das eleições seja firmado um compromisso para o aeroporto da Portela se manter”. E neste sentido, deixou um recado a António Costa: “É preciso definitivamente saber qual a sua posição, perceber se está do lado do Governo e contra Lisboa ou está do lado dos lisboetas”. Para Negrão, as declarações de Costa sobre este assunto não são claras. Quanto a um possível referendo local, o candidato apoiado pelos sociais-democratas recusou, para já, a ideia.
A iniciativa de Fernando Negrão mereceu duras críticas do candidato socialista, segundo o qual, enquanto deputado Fernando Negrão tem no Parlamento o local adequado para debater questões como a manutenção do aeroporto na cidade de Lisboa. Para estas intercalares, defende António Costa, o debate deverá passar pelos “problemas da cidade”, disse, sem querer esclarecer qual a sua posição relativamente ao novo aeroporto de Lisboa, embora já tenha referido em ocasiões anteriores que é contra a manutenção do aeroporto na Portela.
O candidato socialista falou no final de uma reunião com Organizações Não Governamentais (ONG) de apoio a sem-abrigo, toxicodependentes e prostitutas, que decorreu na sede do PS, a partir da qual ficou a conhecer as dificuldades em que estas ONG se encontram, como consequência de alguns protocolos celebrados com a Câmara de Lisboa que “não são pagos há 15 meses”.
Já o candidato do PSD virou baterias para a população idosa, defendendo a criação de equipas multidisciplinares “mais dinâmicas”. Afinal, lembrou, “em Lisboa muitos idosos não saem de casa por questões de saúde”. Mas Fernando Negrão procurou não explorar muito o contacto com os utentes daquele centro de saúde. Logo à entrada, alguns dos pacientes que aguardavam na sala atiraram frases pouco simpáticas para o candidato. “Começa já a caça ao voto” ou “vêm todos encher o bolso”, ouviu-se na sala. Negrão não se deteve mais do que cinco minutos na entrada do centro.
TC RESPONDE A SANTANA
O Tribunal de Contas respondeu ontem ao pedido de Santana Lopes para certificação das finanças da Câmara de Lisboa. A instituição adiantou que algumas questões só podem ter resposta com uma auditoria, não prevista para 2007, mas está a analisar as contas da autarquia dos últimos cinco anos.
Na deliberação sobre o requerimento apresentado pelo ex-presidente da Câmara de Lisboa, o TC explica que, “a fim de certificar o pretendido pelo requerente, (...) teria necessidade de realizar previamente um conjunto de auditorias que não se encontram incluídas no Programa de Fiscalização aprovado para 2007”. “O TC ponderará devidamente a existência do pedido apresentado, aquando da elaboração de futuros Programas de Fiscalização”, acrescenta.
MAIS PORMENORES
SÁ FERNANDES
O candidato do Bloco de Esquerda à Câmara de Lisboa, José Sá Fernandes, defendeu ontem a reestruturação dos serviços camarários com a extinção e fusão de empresas municipais.
ELEITORES
Mais de meio milhão de eleitores nacionais e estrangeiros podem votar nas eleições intercalares para a Câmara de Lisboa, a 15 de Julho, para escolher o novo executivo.
ASSEMBLEIA
A Assembleia Municipal de Lisboa rejeitou ontem que tenha devolvido “inúmeras propostas” da autarquia, esclarecendo que 96 por cento das propostas agendadas foram discutidas, numa resposta a críticas do ex-presidente da Câmara, Carmona Rodrigues.
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