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Correio da Manhã

Política
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Pacheco denuncia aproveitamento político

O eurodeputado social-democrata Pacheco Pereira acusou Pedro Santana Lopes (PSD) e Paulo Portas (CDS-PP), "mais o primeiro que o segundo", de estarem a transformar a morte da irmã Lúcia "num acto de campanha" eleitoral.
14 de Fevereiro de 2005 às 13:07
Em 'post' colocado às 08h41 no seu já conhecido 'blog' Abrupto, Pacheco Pereira declara ser um contra-senso suspender a campanha por luto de dois dias e até proclamar um dia de luto nacional.
Defendendo que "a separação institucional entre o Estado e a Igreja implica alguma moderação, e (que) não é líquido que à Igreja agradem muito estas manifestações de dramatização alheia de oportunidade", Pacheco Pereira acusa Santana Lopes e Paulo Portas de estarem a fazer um aproveitamento político-eleitoral da morte da irmã Lúcia, por suspenderem a campanha dos respectivos partidos, e contrapõe esta atitude à "reserva e comedimento" com que a Igreja está a lidar com o assunto.
A irmã Lúcia morreu às 17h30 de ontem, no Carmelo de Santa Teresa de Coimbra. A irmã era a última dos três pastorinhos que alegam ter visto, em 1917, a Nossa Senhora de Fátima. Os primos Jacinta e Francisco morreram em 1919. Lúcia, que aliás foi a única que terá falado com Nossa Senhora, dedicou a sua vida à clausura dos conventos, onde terá recebido mais 'visitas' da Virgem. Morreu ontem, aos 97 anos de idade, vítima de falência cardio-respiratória.
Fonte do Carmelo de Santa Teresa anunciou esta manhã a causa da morte da irmã Lúcia, garantiu que esta teve sempre o devido acompanhamento médico no convento e confirmou que o Papa João Paulo II enviou uma mensagem de condolências. Já esta manhã, o Papa rezou pela irmã Lúcia.
O Presidente da República, Jorge Sampaio, enviou hoje um telegrama de condolências pela morte da Irmã Lúcia ao bispo de Coimbra, D. Albino Cleto. "Apresento sentidas condolências pelo falecimento da Irmã Lúcia, que era para tantas pessoas em todo o mundo um símbolo e uma referência", escreve Jorge Sampaio na mensagem enviada ao bispo de Coimbra.
Sabe-se já que o Presidente da República não estará presente nas cerimónias fúnebres da irmã Lúcia, que se realizam amanhã em Coimbra, fazendo-se representar pelo chefe da sua Casa Civil.
O PS, embora não tenha suspendido a sua campanha eleitoral (como fizeram PSD e CDS-PP), modificou-a, anulando os eventos mais festivos por forma a - justificou José Sócrates - "respeitar os sentimentos de católicos e de não católicos". Pacheco Pereira também esteve atento ao posicionamento do PS e acusa o partido de Sócrates de ir a reboque. "Está tudo a voar baixinho, sem o mínimo de solidez de pensamento e ... vergonha", concluiu o eurodeputado social-democrata.
A CDU e o Bloco de Esquerda foram as únicas formações políticas a manter inalteradas as respectivas campanhas eleitorais. O secretário-geral do PCP comentou a opção diferente assumida por PSD e CDS-PP: "É uma opção livre, que não pode ser criticada, tem que ser também respeitada", disse Jerónimo de Sousa.
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